Veja o caso destes três franceses, dos quais dois, Delfine e Jerome eram meus amigos, pessoas trabalhadoras, que amavam o Brasil e lutavam como poucos brasileiros lutam pelo nosso país.
O cara que os matou foi retirado das ruas pela Ong, estava cursando faculdade paga pela Ong, era funcionário de confiança, conhecia estas pessoas a 10 anos, mas os estava roubando, desviando dinheiro dos projetos que coordenava… daí, quando foi descoberto, resolveu mata-los todos.
Porque fez isso? Porque matou quem o ajudava? E pelas imagens da TV, não demonstrava o menor arrependimento, como se tivesse feito uma coisa muito normal. Na cabeça dele, apenas matou três gringos por que estavam ameaçando o direito dele de roubar dos ricos. De roubar de quem o explora. Agiu como um soldado em uma guerra, infiltrando-se no campo inimigo por dez anos, conquistando a sua confiança, e quando não deu mais para seguir com seu plano, fez o que tinha de ser feito. Nunca chegou a sentir por eles o menor afeto ou carinho.
Alguma coisa não fecha, mas o que?
E não me venham com baboseiras como esterilização dos pobres, pena de morte, controle de natalidade, gene da maldade, por que o problema não se resolve re-proibindo o assassinato. Assassinato já é proibido. Não se acaba com a violência por decreto.
Acho que apesar do ululante fracasso protagonizado por estas pobres pessoas, eles estavam tentando resolver o problema onde ele deve ser resolvido. Acho que perderam por que lutaram sozinhos. Enquanto for normal crianças crescerem vendo a mãe se prostituir, vendo o pai levar tapa na cara da polícia ao chegar em casa do trabalho, o caveirão subindo a comunidade atirando para todos os lados, sem ter acesso a educação, sem um transporte decente, enfim, sem nenhuma dignidade e noção de cidadania, enquanto os ricos passeiam em seus carros importados, o ódio pelos “ricos” vai continuar entranhado em seus corações.
Eles nascem, crescem e vivem em uma guerra.
Para eles matar ou morrer é banal.
Eles vêem a morte todos os dias.
Enquanto o problema não for atacado onde deve ser, a situação vai piorar cada vez mais.
Os galantes franceses morreram tentando.
Eu torço muito para que não tenha sido, e acredito mesmo que não foi em vão.
Querido… Excelentes pontos de vista. Concordei bastante com sua visão. O buraco é realmente mais abaixo e você localizou boa parte dele. Permita-me uma correção e uma inclusão.
Você diz “Para eles matar ou morrer é banal.”
E minha proposta de correção:
Me inclua nesse seu “eles”. E se inclua. E inclua todos os que você conhece.
Essa é uma característica da sociedade como um todo.
E minha inclusão: a violência externa ao país. Aquela que fica do lado de cima do equador ou mesmo cá do lado onde não existe pecado.
A China vem aí. O Irã também.
Como diz o amigo, a saída não é o aeroporto. É o Cabo Canaveral.
Belo blog.
Permitam-me discordar da correção proposta pelo Admirador. Penso que a banalização do “matar ou morrer” não inclui toda a sociedade não. Pode sim atingi-la. Essa banalização é falta de educação e uma mudança na condição humana desvalorizando si mesmo e o próximo, seja nos excluídos da sociedade ou nos mal educados mesmo, no sentido literal da palavra (independente de segmento social).
Está chegando mais perto.
Este é o fato.
Quando há tantas diferenças sociais quem está por baixo ou se conforma ou, de tanto se sentir injustiçado, simplesmente quer virar a mesa a qualquer custo.
O Terrorismo – se é que chamar por esse nome é justo – está aí mesmo para nos provar que essa conta não fecha.
Analisando de fora a questão dá pra entender que isso acontece pq nossa sociedade está estruturada sobre fundações muito pouco sólidas.
Analisando de dentro… P Q P!!! Iam matar uma criança tocando fogo no apartamento, depois de matar as três únicas pessoas que dele tomaram conta autruisticamente durante tantos anos! E tudo porque ele estava roubando deles e eles descobriram?
É… e o nosso presidente manda: “Violência é uma questão de sobrevivência…”
Tá bom… Tá muito bom…
Mais uma vez o menino pobre é retirado da rua, por pessoas que, embora bem intencionadas, meteram-se em um ato quixotesco e pretensioso: acreditar que fornecer a alguém o que a si seria preciso, está resolvendo o problema alheio. Trata-se de ministrar soluções simples para problemas complexos.
Em todas as ONGs orientadas a crianças carentes observa-se este comportamento: alguma criança é acolhida, é cuidada, cresce, e rouba.
Almir Chediak dirigia a Editora Lumiar, de sua propriedade. Contratou uma mulher pobre e sem perspectivas, que com ele trabalhou durante alguns anos e conquistou sua confiança. Ele a ensinou a trabalhar. Ele a promoveu. Um dia,vendo seus vencimentos bastante reduzidos, descobriu que seus livros estavam sendo impressos sem seu consentimento e vendidos sem seu conhecimento. O dinheiro ia para o bolso de sua funcionária de confiança.
Decepcionado e magoado, despediu a tal, desfazendo-se de ir à polícia, ou mesmo de tentar reaver o que lhe tinha sido subtraído.
Coincidência ou não, dias depois foi assassinado na estrada que levava ao seu sítio. A polícia examinou e disse não se tratar de assalto.
A morte dos franceses aconteceu porque eles não agiram com a aplicável atitude. Deixaram o ladrão agir. Foram ingênuos em acreditar que tratavam com alguém fértil de bons princípios. Ele matou os franceses porque se revoltaram, fugiram ao controle, deram defeito, então não eram mais úteis. A morte deles pouparia, talvez, um alarde maior.
Lembro de uma notória delegada dando entrevista na televisão após o incêncio de um ônibus em Botafogo, no Rio. Dizia consternada que foi incapaz de detectar qualquer emoção nos autores daquele crime. Finalizou declarando: “a polícia não pode combater isso. Isso não é um caso de polícia.”.
Lembro de um assassino que, recentemente, arrastou uma criança presa à carroceria de um automóvel roubado. Quando indagado se não tinha pena do pai do garoto, respondeu com ares de ironia: “eu não tenho filho…”.
A ausência de sentimento de culpa é catalogada pela psicologia como caracterísitica da perversão. O assassino perverso mata sem pena e sem arrependimento. Para ele, a morte não é um drama cristão de dor e pesar. É apenas o “perdeu”. Um fato corriqueiro e sem qualquer importância, que se espera acontecer a si mesmo a qualquer instante. É o “presunto” na vala a caminho do baile funk. É o caveirão subindo a ladeira.
Não cabe aqui o comentário “matar quem o explora”, pois ele não foi explorado. Também não se trata de “virar a mesa”, pois este trabalho já tinha sido feito pelos seus patronos.
Na verdade, trata-se de um ser improdutivo que teve educação particular de graça. Ganhou emprego e projeção na sociedade. A diferença social que ele é capaz de compreender não é senão a pulsão por arrebanhar dinheiro de quem trabalha e gastá-lo o mais rápido possível. Dê-lhe 1 milhão de dólares e ele estará sem um tostão em poucos dias.
Como sou do tempo em que ser pobre não era vergonha, acredito ser acertada a premissa de que esta mazela se origina na negação da dignidade, na falta ou impossibilidade de respeito às pessoas, na polícia que não nos protege ou nos desprotege, na saúde que se esvai, na educação que perdemos, no governo que nos desgoverna, no legado que temos da sociedade de consumo, onde ter é mais que ser, na efervescente sociedade da aparência e do misancene, da prostituta que, no horário nobre, se intitula modelo, enumera projetos abstratos, promete amor ao noivo trilhonário e, sinicamente, é consagrada pelos meios de comunicação, na valorização pontual do que se quer vender e na desvalorização de todo o resto, no temor que o povo brasileiro adotou para viver, que o conduz cada vez mais ao caminho de uma nação de frouxos, inexpressiva, dirigida por um idiota.
Velho Punk me honrando com sua visita.
Seja extremamente bem vindo ao meu humilde blog.
E volte sempre.
Quando beberemos uma cachaça?
Segundo um amigo meu 1/8 da população é sociopata. Aqui já temos 6 comentários, então…