A espécie humana, ao contrario das formigas, não pensa coletivamente. Indivíduos agindo com excesso de competitividade, capazes de transformar a própria bolha, de condições perfeitas e extremamente rara no universo, em um lixão.
Só que essa bolha, serviu de ambiente para uma molécula. Uma molécula capaz de se reproduzir, se dividir, se multiplicar. A história dessa molécula todos conhecemos hoje. Em cada animal, planta, fungo, bactéria, vírus existe uma parte desse código, transmitida de geração a geração. Eu gosto de imaginar esta soma como uma árvore, com o DNA primevo lá embaixo e vários galhos se ramificando a partir daí. Vários desses galhos terminam mais cedo, vários outros continuam a se ramificar. assim cada extremidade desta enorme árvore pode ser encarada como uma espécie diferente, com sua própria história e parentescos.
A nossa espécie, apenas uma das extremidades desta árvore, foi a única (até agora) capaz de observar o ambiente ao seu redor e decifrar sua própria história evolutiva. Ir além e decifrar a própria estrutura do universo e das partículas que o compõe. Capaz enfim de entender a raridade das condições do planeta que a abriga.
(continua…)
Hans,
Não sei o que vem depois do “continua”, mas fiquei pensando nesta história do ser humano não pensar coletivamente e agir com “excesso de competitividade”.
É que embora eu seja antropóloga da área sociocultural, sei um tanto de antropologia física (ou biológica, como eles chamam nos EUA). Para quem não sabe, este é o ramo da antropologia que estuda a evolução humana. Claro, Darwin é pra eles o grande guru.
Mas o que queria dizer é que o desafio pra eles não é explicar o excesso de competitividade humana (isso faz parte do processo de seleção natural) mas justo esta mania de tentar pensar coletivamente. Estou falando de coisas como a evolução do altruísmo.
Evolutivamente, o altruísmo – i.e. ajudar ao próximo em detrimento de si mesmo – é um comportamento nada adaptativo para um indivíduo (tô falando aqui de seleção natural e estas coisas todas). E ainda assim, insistimos nele.
Enfim, achei que tinha a ver pensar nisso também…
Oba! Alguém leu…
Exatamente. Quando falo em excesso penso que passamos do ponto. Somos capazes até de gerar pensamentos e filosofias altruístas. Mas acredito que as garras do mecanismo de Darwin já estão sobre nós para podar este ramo abusado.
Vou colocar a sequencia…
Pois é, estava esperando o “Continua” para comentar.
Não se preocupem.
Tudo está dentro do previsto.
O fato de o único ramo da árvore que consegue ver o todo ser também o único que tem sem empenhado em destruí-lo não é contraditório, mas óbvio.
E o máximo que vai acontecer é a raça humana ser eliminada do planeta.
A natureza e a evolução continuam.
Nada então com que se preocupar.
Não sou antropólogo, mas sou antropófago, com louvor.
ah, certo. agora com o comentário e a parte 2 eu entendi onde você tava querendo chegar.
tudo isso é realmente fascinante e faz a gente se sentir um merdinha mesmo (ainda assim, insisto em jogar as pilhas usadas nas lixeiras verdes)
eu também, enquanto estudava a história deste planeta desde muitos milhões de anos atrás, ficava pensando o quanto nosso tempo de existência aqui é um nadica de nada.
pra quem se interessa pelo o assunto, vale checar um projeto lançado pela national geographic em parceria com a IBM, que se propõe a traçar a jornada humana desde os seus primórdios na África. chama-se “genographic project” e o site é
https://www3.nationalgeographic.com/genographic/index.html
até pensei em mandar uma amostra do meu DNA pra saber dos meus ancestrais africanos e suas andanças, mas fiquei com medo de usarem isso contra mim depois que controlarem todos os humanos a partir do seu código genético. além do que, tem que pagar uma grana pra pegar o kit.
e tico, que você era antropófago, eu sempre soube. só quero saber se a Roberta sabe que você come criancinha também…