Bem, este post era para ter sido escrito em dezembro, e ser uma dica de presente de natal. Devido as críticas a minha preguiça (totalmente reais) e aproveitando que o Cris Dias postou sobre o lançamento da versão definitiva-final-redux-unabridged do filme do Riddley Scott, “Blade Runner” baseado neste livro, arregaço as mangas e ao trabalho.
Bem para começar eu acho um saco esse negócio do diretor ficar mudando o filme e dizendo que agora finalmente está como ele queria. Eu acredito que o filme é o que passou no cinema e eu vi. Editar um filme para que ele se torne um produto comercial é um problema comum a todos os diretores. Só para citar alguns, Polanski, Kubrick e Coppola nunca ficaram com esse nhém-nhém-nhém de ficar mudando o filme, incluindo cenas cortadas na edição no DVD. E olha que alguns filmes destes diretores citados, foram sucesso de bilheteria com mais de 3 horas de filme (Tess, 2001 e Apocalipse Now por exemplo). Tá bom, o Coppola lançou uma versão redux do Apocalipse, mas isso foi uma besteirinha perto das pelo menos 5 versões diferentes que Blade Runner já teve. Outra coisa irritante é o George Lucas ficar alterando o Star Wars e o Spielberg ficar tirando arminha e trocando por walkie-talkies no ET, mas isso são outros quinhentos.
Só para constar, uma versão para os cinemas americanos, uma para os cinemas mundiais, uma para a TV, uma versão autorizada do diretor e agora essa “Final Cut”.
Aluguei e assisti essa última, e sério, é um filmaço, mas muito mais óbvio do que o original. A experiência continua sendo muito legal, aquele visual dark inspirado no quadro “Nighthawks” do Hopper e na estória em quadrinhos “The long Tomorrow” de Moebius/O’Bannon (colei da wiki) e o visual brega retrô dos figurinos, carros e moveis.
Quando assisti a este filme no cinema, fiquei muito mais com uma sensação geral do que com um entendimento linear da estória. E esta sensacão era inquietante. O futuro não seria limpinho? Cheirosinho? Cheio de naves e lasers? Aquele futuro, brilhantemente filmado por Scott, acendeu, ou melhor apagou uma luz em minha cabeça. Guarda-chuvas, Yakisobas e dubiedade entravam definitivamente no repertório do futuro, William Gibson que o diga.

Um belo dia em uma Siciliano (no tempo em que a Siciliano era uma puta livraria e não essa loja americana de livro que é hoje) eu achei o livrinho “Blade Runner - Perigo iminente” da coleção de bolso de ficção científica da Europa-América. Esta coleção, portuguesa, salvou os leitores de sci-fi brasileiros de morrer a míngua durante os anos 80. E tirando o papel vagabundo e o português de portugal ( que troca tela por ecrã, nave por foguetão e por ai vai…) eram (e são) ótimos livrinhos.





Li, e reli. Através daquele livrinho eu havia descoberto o meu autor de ficção científica favorito. Não acreditei que aquele livrinho pudesse ser tão mais complexo e cheio de sutilezas do que o complexo e cheio de sutilezas, filme do Ridley Scott. Fui atrás e descobri que o Philip K. Dick era um prolífico escritor de ficção e sua estórias tinham sempre aquele que de diferença. As coisas nunca eram exatamente o que pareciam. Um livro inteiro, uma realidade sonhada pela viagem induzida por uma droga na cabeça de um dos personagens. Outro, uma cidade inteira construida ao redor de uma pessoa, sem que esta saiba que a realidade não é aquilo. Quando eu vi “O show de Trumman” no cinema fiquei até o final esperando o crédito para o livro chamado “Time out of Joint” de Dick, mas este nunca veio. A família do autor processou e não sei do resultado.
Continuando, o livro de Dick que se chama na verdade “Do androids dream of eletric sheep?” que traduzindo ficaria algo como: Será que os andróides sonham com ovelhas elétricas?, aborda as questões colocadas no filme (pós guerra poluído, migração para os planetas exteriores) e algumas outras mais. Vale muito a pena a leitura. Foi publicado no Brasil primeiro na coleção “Mundos da Ficção Científica” da Francisco Alves a reboque do lançamento do filme em 82 e agora sai de novo com outra tradução pela Rocco, mais uma vez a reboque do re-re-lançamento do filme.
Philip Dick, foi descoberto recentemente,a partir de “Blade Runner”, por Hollywood, e já tivemos vários filmes realizados a partir de seus livros. O ótimo “Total Recall” com o governador da California, O bom “Minority Report”, o não tão bom “O Pagamento” e o excelente “A Scanner Darkly” para citar alguns.
O bom desse boom é que vários livros do autor foram lançados no Brasil, saciando os (poucos) fãs, eu incluído. Li vários direto do inglês garimpados em sebos, comprei alguns pela Amazon, mas ainda existem vários outros a serem traduzidos e publicados aqui no Brasil. Existem boatos sobre a filmagem de “Ubik” e se não me engano antes de “Blade Runner um outro filme foi feito em cima de um texto de Dick, “The Second Variety”, mas não tenho certeza.
Polanski, Kubrick e Coppola conseguiam fazer seus filmes da maneira como queriam na primeira tentativa. Blade Runner teve dedo de um monte de gente, principalmente do estúdio e seus “focus groups”.
Tess do Polanski, ficou mais tempo sendo editado do que filmado. Um monte de gente meteu o dedo, reduziram o filme em mais de 45 minutos, mas o que saiu, saiu. Depois o Polanski não veio mudar e alterar o filme de 5 em 5 anos, foi isso que eu quis dizer…
Bom artigo, Hans.
Bom, infelizmente tenho que dizer que o Coppola deu uma de George Lucas com seu melhor filme do mundo junto com iluminado do Kubrick, Apocalypse Now, pois depois de lançar o apocalypse now redux em DVD, lançou um DVD com as duas versões juntinhas, chamado “Complete Dossier DVD”… com aparições do JarJarBinks inseridas no show das coelhinhas da playboy…
Dessa eu não sabia. Detesto estas modificações póstumas. Imagine se autores de livros entram nessa? Tá, tá bom que eu sei que até rolam algumas modificações nas primeiras edições de grandes obras literárias, ou que algumas foram escritas para serem publicadas de forma seriada e depois adaptadas e ligeiramente modificadas para serem publicadas de uma só vez (Guimarães Rosa, no primeiro exemplo e Dostoievski e Dumas no segundo).
Mas não duvido nada que um dia saia um Harry Potter Redux com mais cenas, correções e o Jar Jar Binks aparecendo do nada.
C£ing c£ing faz a caixa regi$tradora…
Trigal com Corvos Redux, do Van Gogh
Com o Jar jar?
Mas a cena adicionada no Apocalypse Now redux é a *melhor* cena do filme!
Uma boa seria fazer um Episódio 1 redux SEM o Jar Jar Binks!!
Ah, fala sério, Cristiano.
Tudo bem, a cena deles com os franceses é legal, rola um papo interessantíssimo, mas daí a ser a melhor cena do filme…
É como dizer que a melhor cena de “O Retorno de Jedi” é a conversa do Luke com o Yoda.
Eu me amarro no Jar Jar Binks… tomei um pouco de birra dele depois que seu sósia, Ronaldinho Gaúcho fez aquele papelão na copa de 2006…