Ou Emotional Systems é o nome de uma exposição recém inaugurada no Centro di Cultura Contemporanea Strozzina em Florença e convida a audiência a refletir sobre o artista contemporâneo, a obra e o espectador. Reune diversos artistas em volta deste tema incluindo entre eles o americano Bill Viola e o sul-africano William Kentridge. Mas me chamou a atenção a instalação da mexicana Teresa Margolles.

Sua instalação é um belo exemplo do desvio que a arte contempôranea tomou do simples apelo visual para uma percepção em layers da obra. A resposta sensorial através de uma ausência, não uma imagem. Uma sala neutra, branca, separada do resto do ambiente por cortinas de plástico transparentes do tipo que se encontra em frigoríficos. Lá dentro, aparentemente nada além de um condicionador de ar. O ar é ligeiramente húmido. Uma pequena etiqueta com a simples lista dos materiais utilizados na obra deflagra a experiência. Descobre-se que não há nada além do ar condicionado e agua vaporizada, e essa agua foi utilizada previamente para lavar corpos não identificados antes da autópsia em necrotérios na Cidade do Mexico. Ponto.

A resposta do espectador, parte integrante da obra. Repulsa que não se origina aparentemente do cérebro, mas do estômago. Teresa que trabalha também como técnica forense em necrotérios públicos na Cidade do Mexico ao longo de sua carreira trata da morte abordando diversos outros aspectos. E aqui, mesmo com a aparente ausência, consegue atingir o espectador num nível, digamos, visceral.
Obs. a foto que ilustra este artigo faz parte de outro trabalho da mesma artista e não da obra aqui descrita.
Hahahaha.
O visitante cabeça chega… “hmmmm, que arzinho gostoso… até melhorou a minha asma”.
Mas sabe ele que os aerodispersóides que respira são originários de corpos em decomposição.
Isso é arte.
nossa, que coisa mais escatologica!! mas ao mesmo tempo tao sutil que nao da’ pra ter a mesma reacao que se teria se estivessemos vendo o corpo ali na nossa frente.
e’ quase como se fosse um nojo imaginario.
de qualquer forma, acho que se eu estivesse la’ e soubesse disso, eu pulava esta sala….
Adorei sua descrição. Adorei como foi revelando aos poucos a verdade dessa arte inusitada. E me tocou o estômago, eu diria.
Prazer em conhecê-lo!
Bem vinda ao Presunto… Ajudo o Mairus, o dono do pedaço, a escrever umas coisinhas…
Apareça sempre que puder, pois as vezes este tema (arte) se repete.