Estávamos eu, Hans e Jakes bebendo umas cervejas no bar do Antônio, no Sumaré, em uma tarde de um fim de semana qualquer do final dos anos 80 ou início dos 90.
Enquanto Hans ou Jakes pagava a conta (eu nunca pagava a conta), eu aguardava sentado no capô da Panorama do Hans, o retorno do pagante, e reparava em umas três ou quatro criancinhas que subiam a escada que vinha da Favela Paula Ramos, e que brincavam animadamente com uma lata sem rótulo, que pelo tamanho parecia ser uma lata de Nescau, ou de leite Ninho, novinha e muito brilhante, que traziam com eles.
Meu coração se enchia de alegria ao ver como uma simples lata vazia podia divertir tanto aquelas pobres crianças.
Todas as brincadeiras deles envolviam a lata, eles chutavam a lata, jogavam a lata, batiam na lata, pulavam a lata, rolavam a lata pelo descampado onde estava também estacionado o carro do Hans.
Nisso voltam Hans e Jakes com a conta paga, entramos todos na Panorama, e Hans foi manobrar para fazer a volta e irmos embora dali.
Foi à frente, deu a ré para fazer a manobra, e como Hans sempre foi muito barbeiro, deu marcha a ré até muito além do que seria necessário para a sua realização, e em meio aos gritos das criancinhas de fora do carro, ouviu-se um ruído “SCROTCH”.
Era a lata das crianças.
Quando Hans arrancou com o carro, pude ver pelo vidro de trás um menininho desolado indo ver o que restou da sua lata, que estava achatada como uma panqueca… enquanto os outros procuravam pedras para atirar no nosso carro aos gritos de “filho da puta, filho da puta”.
putz!
e o hans?
o hans pisou fundo.
Sugiro alterar a tag deste post para: “Falta de assunto mesmo!”.
Nem me lembrava mais desta passagem triunfal. Nego apenas o rótulo de “muito barbeiro” sendo todo o resto a mais pura verdade.
Em breve neste espaço:
“O boliche em Ipanema” também conhecido como “Cadê o bafômetro?”, “O dia em que o Jakes virou madeira” e “JLM, um portão”.
Afinal, nos temos um nome a zerar!
Hahahaha!
Boas sugestões.