
Fazia muito tempo que eu não via um segundo colocado ultrapassar o primeiro em situação normal de corrida, evento que tive a felicidade de acompanhar na de domingo último.
Até o Galvão comemorou a ultrapassagem do Lewis Hamilton sobre o Felipe Massa, quando assumiu provisoriamente a liderança… ele deve ter se auto-flagelado a noite inteira por ter cometido tal desvio de caráter.
O que costuma acontecer nas primeiras posições é depois da largada os carros se espaçarem e aguardarem as voltas que antecedem as paradas nos boxes, para então tentar uma aproximação que possibilite uma troca de posições, por conta das diferentes estratégias adotadas pelas equipes, antecipando ou retardando as paradas e variando a quantidade de gasolina adicionada e a consequente duração do pit-stop.
Foi isso o que com muita competência fez a McLaren com o Lewis Hamilton (o mesmo não se pode dizer da estratégia para o pobre Kovaleinen), fazendo em vez de duas paradas normais, como a Ferrari, três “microparadas”, injetando menos combustível e fazendo com que o inglês corresse sempre com o carro mais leve, compensando as suas limitações (do carro, não do piloto, que é sensacional) e permitindo que chegasse em segundo lugar, à frente do Kimi Raikkonen, uma estratégia brilhante.
Luciano Burti foi o primeiro a cantar a pedra “será que o Hamilton vai fazer três paradas?” e o Reginaldo e o Galvão em coro: “nããão, claro que não, eles são são malucos”…
E foi também o Burti quem, durante a segunda parada do Hamilton, constatou que ele ia mesmo para três, graças aos pneus duros que estavam novamente sendo colocados no carro do Inglês, pois se a estratégia da equipe fosse de fazer apenas duas paradas, o pneu para aquela perna teria obrigatoriamente que ser macio.
O Burti é bom, eu gosto dele… o que mata é aquele sotaque de jurado do Silvio Santos…
Também me chamou muito à atenção, a sacada do Burti. Nada como ser piloto e conseguir traduzir o que acontece lá dentro da pista.
Acho que só vai dar Ferrari mesmo. A não ser que a Maclaren mude muito os seus carros, o que acho difícil já no meio da temporada.
Também acho o Burti bom comentarista. Mas o Galvão não comemorou a ultrapassagem não. Eu já estava revoltado há alguns minutos pensando: “porra, não acredito que esses caras não vão falar dessa ultrapassagem excelente!” quando o Galvão admitiu que foi um grande lance.