Mairus Webber

Presunto

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2008
Padrão, Design e Arte
Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008 - 17:25
Handofsky - 719 visitas

Este blog fala sobre lagartixas, morcegos, companhias aéreas, dicas para videogame GTA e também fala sobre design. E eu até as vezes arrisco um pouco de arte. O estudo a seguir pretende borrar um pouco estas categorias e nos dar um panorama da sinalizacão no Brasil hoje em dia.

Quem circula por grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Londres ou Amsterdã, sabe do valor da sinalização urbana para organizar o dia a dia dos cidadão. Londres por exemplo é tão sinalizada que até perde a graça. Está tudo lá, na parede, nas ruas, em folhetos gratuitos. Mapas, diagramas do metro e etc permitem a qualquer alienígena circular por ali.

Mas esses mundos estandartizados acabam por tirar a espontâneidade do gesto, da criação. Iremos a seguir percorrer a maravilhosa iniciativa da CEG do Rio de Janeiro de trazer um pouco de arte e caos para quebrar um pouco com a tão organizada e tranquila vida do Carioca.

Em uma iniciativa pioneira a Companhia de Gás do Rio de Janeiro tercerizou várias pequenas intervenções na cidade pulverizando pequenos consertos na rede de gás encanado da cidade por diversas empresas. Mas é que está o brilhantismo da ação. Ao tercerizar o trabalho, a CEG tercerizou também o trabalho de sinalização. Permitindo a cada uma das pequenas empreiteiras a grande chance de colocar algo novo nas ruas e criar suas próprias sinalizações.

A seguir detalho alguns dos resultados dessa incrível iniciativa:

Foi apenas no final do ano passado que o trabalho ganhou força e eu pude através de extensas caminhadas pela cidade travar contato com a primeira obra. E então passei a fotografar com meu celular todas as intervenções artísticas patrocinadas pelo evento.

Esta primeira foto mostra um exemplar da placa PEDESTRES que com uma seta indica o desvio que o pedestre deverá fazer para não trombar com a obra propriamente dita. Foi muito feliz esse primeiro encontro com tão precioso exemplar. A figura humana é uma das mais ricas encontradas ao longo de todo o projeto. A cabeça nos remete claramente a ETs enquando que a pose e as calças boca de sino definitivamente conferem a esta placa um caráter disco e o uso do extensil e do grafitti como linguagem, inserem a obra no meio urbano, quase como uma camuflagem.

A partir daí Tive a oportunidade de capturar estes momentos do ET disco em outros locais e como este exemplar com rara clareza e definição, mas com a tipografia mais free-style e se aproveitando da própria técnica para borrar alguns contornos. E vale também destacar que a técnica do exténsil permite a este exemplar se multiplicar e gerar variantes do tipo esquerda/direita.

Alguns aproveitaram o espaço para fazer uma crítica saudável, reduzindo tudo a um formalismo de manual e eliminando a informação escrita como se vê a seguir. Enquanto que outros, embora se utilizando do mesmo minimalismo informacional trazem ali na ponta do pincel a volta do gesto.

Mas nada supera na minha opinião o trabalho da concessionária Golden. Rasgando todos os manuais de estandartização e chutando o balde para o orçamento. A Golden resolve a questão com arte. Cada placa entregue a um artista diferente, todos seguindo o mesmo conceito de se apropriação visual de outras placas mas de extensa manifestação individual.

A seguir vemos exemplares da Golden apresentado uma alta meteorização e raspagem, ou toques de auto retrato e puro gesto registrando o momento da concepção com a rapidez da técnica wet on wet.

Cabe aqui o aplauso final a CEG pela excelente iniciativa. Somente a partir de iniciativa como essa que poderemos levantar o véu da ordem urbana dessa cidade e vislumbrar um pouco do caos, do gesto e da arte.

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4 comentários para “Padrão, Design e Arte”

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Mairus Webber Comunicação Visual 1990-2008