A Jal opera desde 1951, e desde então a plumagem de seus aviões vêm evoluindo de acordo com as tendências.
Se por um lado usam poucas cores, são pouco ousadas, quase caretas, por outro são limpas e elegantes, sempre se aproveitando com eficiência dos conceitos visuais vigentes… essa última parte pode ser boa ou má, dependendo do ponto de vista.

No início a empresa usou um Douglas DC-3, que só voôu por três dias e com as cores da Philippine Airlines, depois, cinco Martin 202, cujas pinturas também não tinham grandes identificadores da companhia japonesa.
Os primeiros aviões que podem ser considerados pintados nas cores da Jal, são os Douglas DC-4, DC-6 e DC-7 que voaram ao longo dos anos 50, e que já contavam com a primeira logo da empresa, além das listras pretas e vermelhas, que decoraram seus aviões até o final dos anos 80.

Na primeira pintura, como em todas as posteriores, a cor base do avião era o branco, e arranjos complexos com faixas pretas e vermelhas cortavam a fuselagem na altura das janelas, acima delas o nome da companhia e à frente a logo da empresa.
No leme a bandeira do Japão, destacada por cinco faixas pretas horizontais, e acima delas, o nome do avião, informação que era comum receber destaque naquela época, as vezes até mais do que a própria companhia aérea.
Com o passar do tempo novos aviões foram incorporados à frota e a identidade visual foi evoluindo de forma sutil.
Os novos DC-8, Convair 880, Boeing 727, já voavam com uma pintura ligeiramente modificada, estreando a logo do pelicano, que permaneceu até 2002 nos lemes dos aviões, só que neste primeiro momento elas ocorriam mais timidamente, na parte posterior da fuselagem, sobre as faixas horizontais, logo a frente da linha das janelas.
A próxima alteração ocorreria nos anos 60, quando a companhia já operava com Boeing 747, 767 e McDonnel Douglas DC-10, com uma substancial modernização e simplificação da pintura dos aviões, que ganharam uma faixa rubro-negra (não resisti) ao longo de toda a fuselagem, na linha das janelas, enquanto que a cauda ficou toda branca com a logo vermelha do pelicano, em uma solução bela e de acordo com o que estava sendo feito à época.
Em 1989 as faixas na linha das janelas estavam saindo de moda e a tendência era de os aviões serem todos pintados de branco, como os da Lufthansa, PanAm, TransBrasil, Vasp, Air France… e a Jal lançou a sua nova pintura seguindo esta linha, com uma solução que pode ser chamada de Mondrianesca, com a fuselagem toda branca e uma faixa grossa cinza clara que vinha do nariz, passava por baixo das janelas até encontrar a logo “JAL” em uma fonte serifada, de “A” sem tracinho (que mania), ainda na parte da frente do avião, e onde a faixa cinza terminava em um quadrado vermelho, remetendo talvez à bandeira do Japão…

…imagino que eles devem ter tentado primeiro com um círculo em vez de um quadrado, mas com certeza os ângulos retos deram um ar mais elegante, enquanto a cauda permanecia inalterada, com a mesma logo do pelicano, o que no meu ver causava uma certa quebra entre as linguagens da cauda e da fuselagem… senti falta de algum elemento na cauda do avião que conversasse com a faixa cinza e vermelha da proa… parece que seguraram o avião pelo leme e o mergulharam na tinta, deixando a fuselagem nova e o leme com a tinta velha. Nessa época a companhia já operava também com Boeing 737 e 777.
E por fim, a última reforma visual da Jal, lindíssima, e mais uma vez seguindo as tendências globais.
Jogaram tudo fora, abandonaram a logo do pelicano e a fonte serifada.
O avião continua todo branco, e as cores vermelha e cinza foram mantidas, compondo a nova logo da companhia, que é o “JAL” escrito em fonte grotesca =) , com o “A” sem o tracinho =/ , cortado por um… parênteses vermelho e cinza =( … incrível como esses caras conseguem adotar sempre a solução mais batida e sempre obterem um resultado bonito… resultado que se deve também à solução que deram para o leme, com uma bolona vermelha sangrada, que é o disco solar da bandeira do Japão, very beautiful.
O caminho que percorreu a identidade visual da companhia, desde os anos 50 até os dias de hoje, acompanhou tão de perto os modismos do design que sua evolução serve de referência do que esteve em voga para cada época, e isso tem um lado bom, que é o emprego feliz e bem sucedido das tendências formais vigentes, e outro lado não tão bom, que é o da limitação da criatividade pelas barreiras impostas pelos modismos de cada época.
De qualquer forma eu acho os aviões da Japan Airlines lindíssimos, em todas as épocas.


“Pisa bruto, Felipe Massa” bradava o esclerosado Galvão Bueno após o final do qualifying que definiu o grid de largada para o GP do Brasil no sábado, com Massinha na pole, o surpreendente Jarno Trulli ao seu lado, em segundo, Kimi Raikkonen em terceiro e o até então melhor piloto do mundo, Lewis Hamilton em quarto.
Felipe Massa desceu do carro com cara de malvado, retirou as luvas e a pescoceira com gestos bruscos, tal qual um galinho de briga prestes a entrar na arena… minha nenem chorou de medo e tudo… ele bateu na sua caixa toraxica e berrou “Mônaco! Perdão… Brasil!”
Domingo, duas e meia, liguei a TV no canal da corrida, fui assolado por um princípio de pavor ao me deparar com o semblante da Fafá de Belém, que parecia cantarolar alguma coisa… sorte a minha a TV estar no mute e David Bowie tocando na vitrola, mais precisamente “Quicksand”, Recomendo.
Grid de largada, Mairus concentradíssimo para não se deixar levar pela tietagem do louco Galvão, que babava e espumava no microfone, berrando palavras de ordem, em um “minuto do ódio”, pelos ingleses, pela McLaren, pelos negros, pelos de dentes separados, em meio a marchas militares, do tipo “o Brasil sempre foi aliado da Ferrari e sempre esteve em guerra contra a McLaren”… caramba, mas e a corrida? Perdão, pois estou um tanto divagante hoje…
Grid alinhado, caiu aquele pé d’água monstro, molhando tudo e adiando a largada em dez minutos, enquanto Mairus dava pulos e gritos, excitadíssimo, em frente da TV.
Dez minutos se passaram, todo mundo de pneu intermediário, eu até comentei com a Roberta, que fingia com eficiência estar interessada no que eu dizia, que se estivesse lá atrás, com uma Force India, ou uma Honda, arriscaria largar com pneus lisos, o que mais tarde se mostraria uma boa estratégia, isto é, se o cabra conseguisse se manter na pista na parte molhada, que incluía a parte da freiada depois da reta dos boxes e o “esse do Senna”.
E apesar da pista molhada, largada de macho, nada de frescura de carro madrinha, momentos tensos, largada espartana de todo mundo, posições mantidas, exceto pelo Fernando Alonso, que mostrou que quando precisa sabe meter o pé no fundo, conquistando valiosos pontos com o crítico que vos digita, e mais ainda, pelo monstrinho, pelo futuro Mike Tyson da F1, o indomável Sebastian Vettel, que ainda iria dar muito o que falar nessa corrida.
Dou minha cara a tapa se esse moleque não for campeão do mundo até a copa do mundo do Brasil.
É um animal esse Vettel.
A corrida seguiu chata, com os líderes fazendo aquele feijãozinho com arroz, e Hamilton excessivamente precavido, até medroso, sentindo a pressão da torcida.
Destaque para Giancarlo Fisichela e sua Force India, que ninguém sabia explicar como, chegou a estar em quinto, e deu trabalho por algumas voltas para Lewis Hamilton, depois do seu primeiro pit-stop… mas depois o italiano ex-Renault, voltou para seu habitat natural e chegou em último.
O cagaço de Hamilton acabou por esfriar nosso herói inglês, como ocorria com o velho Nigel Mansell, que só sabia pilotar de pé no fundo, caso contrário se desconcentrava… Hamilton acabou, permitam-me a adaptação da gíria do tênis, encurtando o pé, e quando começou a sofrer pressão do Vettel no final da prova, já estava irremediavelmente pilotando no “modo burocrata”, e não teve jeito, o alemãozinho colou no inglês e não quis saber se era campeonato que estava em jogo, meteu o pé, apareceu no retrovisor, deixou Lewis todo arrepiado, e não teve pena, faltando apenas duas voltas, passou batido, para a alegria da brasileirada e para o desespero do cardiologista do Galvão Bueno… Cheguei a comentar com a Roberta “é Felipe Massa Campeão”.
E em um incrível final de corrida, o Felipe Massa cruzou a linha de chegada campeão, só que o Timo Glock, quarto colocado, não tinha parado para botar pneus intermediários, e o final da história todo mundo já conhece, quando eu já pensava que o campeonato estava perdido para o Inglês, na última curva, Glock já não se agüentava em pé, e passou Vettel, passou Hamilton, e foi isso.
Hamilton cruzou em quinto e foi campeão, enquanto Felipe Massa chorou feito criança que perdeu o pirulito… a Ferrari não deve nem querer ouvir falar em pirulito.
No pódium Massa batia no peito, fazia cara de macho e gritava “Mônaco, Mônaco”, como um autêntico argentino revoltado com a injustiça da infinitude… se formos analisar a corrida isoladamente, foi injustiça mesmo, pois Massa fez tudo certinho e chegou na posição que precisava chegar, é verdade, sem muitas dificuldades, deixando lá para trás um covarde Lewis Hamilton, que de tão precavido quase acabou perdendo novamente o título, mas se a análise for feita em todo o campeonato, Lewis Hamilton mereceu ser o campeão, por ser o que mais arriscou, o que mais mostrou tudo o que todos queremos ver em um piloto de Formula 1.
Parabéns, Lewis Hamilton, o grande campeão, e o Massinha que aproveite para correr atrás do caneco no ano que vem, pois o Vettel ainda vai estar na RBR, pois em 2010 eu acho ruim de ele não estar em uma equipe grande, e aí não vai ter para ninguém.
Vai ser outro alemão acabando com a graça da formula um.

Este blog fala sobre lagartixas, morcegos, companhias aéreas, dicas para videogame GTA e também fala sobre design. E eu até as vezes arrisco um pouco de arte. O estudo a seguir pretende borrar um pouco estas categorias e nos dar um panorama da sinalizacão no Brasil hoje em dia.
Quem circula por grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Londres ou Amsterdã, sabe do valor da sinalização urbana para organizar o dia a dia dos cidadão. Londres por exemplo é tão sinalizada que até perde a graça. Está tudo lá, na parede, nas ruas, em folhetos gratuitos. Mapas, diagramas do metro e etc permitem a qualquer alienígena circular por ali.
Mas esses mundos estandartizados acabam por tirar a espontâneidade do gesto, da criação. Iremos a seguir percorrer a maravilhosa iniciativa da CEG do Rio de Janeiro de trazer um pouco de arte e caos para quebrar um pouco com a tão organizada e tranquila vida do Carioca.
Em uma iniciativa pioneira a Companhia de Gás do Rio de Janeiro tercerizou várias pequenas intervenções na cidade pulverizando pequenos consertos na rede de gás encanado da cidade por diversas empresas. Mas é que está o brilhantismo da ação. Ao tercerizar o trabalho, a CEG tercerizou também o trabalho de sinalização. Permitindo a cada uma das pequenas empreiteiras a grande chance de colocar algo novo nas ruas e criar suas próprias sinalizações.

A seguir detalho alguns dos resultados dessa incrível iniciativa:
Foi apenas no final do ano passado que o trabalho ganhou força e eu pude através de extensas caminhadas pela cidade travar contato com a primeira obra. E então passei a fotografar com meu celular todas as intervenções artísticas patrocinadas pelo evento.
Esta primeira foto mostra um exemplar da placa PEDESTRES que com uma seta indica o desvio que o pedestre deverá fazer para não trombar com a obra propriamente dita. Foi muito feliz esse primeiro encontro com tão precioso exemplar. A figura humana é uma das mais ricas encontradas ao longo de todo o projeto. A cabeça nos remete claramente a ETs enquando que a pose e as calças boca de sino definitivamente conferem a esta placa um caráter disco e o uso do extensil e do grafitti como linguagem, inserem a obra no meio urbano, quase como uma camuflagem.

A partir daí Tive a oportunidade de capturar estes momentos do ET disco em outros locais e como este exemplar com rara clareza e definição, mas com a tipografia mais free-style e se aproveitando da própria técnica para borrar alguns contornos. E vale também destacar que a técnica do exténsil permite a este exemplar se multiplicar e gerar variantes do tipo esquerda/direita.

Alguns aproveitaram o espaço para fazer uma crítica saudável, reduzindo tudo a um formalismo de manual e eliminando a informação escrita como se vê a seguir. Enquanto que outros, embora se utilizando do mesmo minimalismo informacional trazem ali na ponta do pincel a volta do gesto.

Mas nada supera na minha opinião o trabalho da concessionária Golden. Rasgando todos os manuais de estandartização e chutando o balde para o orçamento. A Golden resolve a questão com arte. Cada placa entregue a um artista diferente, todos seguindo o mesmo conceito de se apropriação visual de outras placas mas de extensa manifestação individual.

A seguir vemos exemplares da Golden apresentado uma alta meteorização e raspagem, ou toques de auto retrato e puro gesto registrando o momento da concepção com a rapidez da técnica wet on wet.

Cabe aqui o aplauso final a CEG pela excelente iniciativa. Somente a partir de iniciativa como essa que poderemos levantar o véu da ordem urbana dessa cidade e vislumbrar um pouco do caos, do gesto e da arte.
