
Linda essa feliz história do irretocável pouso forçado realizado por Chesley B. “Sully” Sullenberger, piloto do Airbus 320-214 N106US da US Airways, que fazia o vôo 1549, do aeroporto de La Guardia, em Nova Iorque para Charlotte, na Carolina do Norte, EUA.
Logo após decolar, o avião atravessou um bando de pássaros, que provocaram o colapso das duas turbinas do aparelho.
Ao perceber que não conseguiria chegar a nenhum aeroporto, o valoroso piloto, mais rápido que um guepardo traçou uma rampa para aterrissar (ou aquarrissar) no Rio Hudson, manobra que executou com maestria, permitindo o resgate em segurança de todos os 155 passageiros e tripulação.
Palmas para Sully e sua equipe por conseguirem esse feito heróico, ainda mais se tratando de um modelo que tem as turbinas embaixo da asa, o que eu imagino que tenha dificultado ainda mais a manobra, pois devem ter sido elas as primeiras a tocarem o leito do rio, tanto é que se espatifaram, o que deve ter dado uma boa desequilibrada no avião.
Mas o motivo de eu escrever esse post é para, graças ao meu pífio conhecimento aeronáutico, poder fazer algumas outras observações a respeito do evento.
Uma empresa que deve estar dando pulos de alegria, e que merece mesmo os nossos cumprimentos, é a Airbus SAS, pelo simples fato de ter feito um avião que bóia.
Isso mesmo, sempre que eu ando de avião eu vejo naquele encarte um desenho de um avião boiando graciosamente no oceano enquanto as pessoas vão calmamente saíndo pelas portas de emergência para as asas esperarem pelo socorro, e sempre achei que aquilo fosse uma grande forçação de barra do fabricante (Tyler Durden também), pois eu nunca tinha tido notícia de um avião daquele tamanho ficar boiando como um patinho de borracha após um pouso forçado como o do vôo 1549.
Claro que o maior mérito é mesmo do piloto, que fez uma manobra altamente precisa, mas um bom projeto permitiu ao avião boiar por tempo suficiente para que o resgate fosse feito com segurança.

Lembrem-se que nem Jack Lemmon, na pele do Comandante Don Gallagher, conseguiu evitar a submersão de seu Boeing 747-100 após uma manobra semelhante em Aeroporto 1977… tudo bem que deve ser mais difícil pousar um jetliner no Rio Hudson do que no Triângulo das Bermudas, e se fosse tão simples um avião permanecer boiando após um pouso na água, a Boeing não permitiria que expusessem seu modelo top de linha da época a uma situação como aquela… ou permitiria?
Meu outro comentário sobre o evento é de como são frágeis essas turbinas!
Como pode um equipamento de ponta como uma turbina de um avião de grande porte, como um A320, entrar em colapso por causa de um choque com alguns Bem-te-vis?
Eu assisti certa vez vi no Discovery Channel, a um programa que mostrava os testes a que são submetidas as turbinas de aviões de grande porte, no caso, eram as usadas em Boeings 747.
O teste mostrava um canhão que atirava pássaros mortos em grande velocidade ao encontro da turbina em funcionamento, e o filme em câmera lenta mostrava uma grande covardia, onde os pobres pássaros eram destroçados, esmigalhados, sem causar nenhum dano aparente nas pás da turbina.
Ora, as turbinas do A320 são fabricadas ou pela International Aero Engines, que é uma Joint Venture composta pela americana Pratt & Whitney, a inglesa Rolls Royce, a alemã MTU, e as japonesas Kawasaki, Mitsubishi e Ishikawajima-Harima, ou pela CFM International, que é composta pelas igualmente consagradas General Electric, dos EUA, e a francesa Snecma (as do avião do episódio eram CFM), ou seja, o que há de melhor em matéria de turbinas no mercado… se é que existem outras… e ainda assim uma meia-dúzia de sanhaços joga no chão um primor da tecnologia de ponta como um moderno A320.
Sinceramente, se formos comparar os volumes em questão é como imaginar uma carreta de seis eixos capotar após passar sobre um grupo de besouros… e o teste que eu vi no Discovery Channel?
E as pás daquela turbina desberlotando aqueles bacurais como se fossem bananas em um liquidificador?
Inimaginável.
Não sei qual dos fatos envolvidos nesse evento é o mais inacreditável, se a sensacional aterrisagem no fio da navalha feita pelo piloto-herói Sully, ou o colapso das duas poderosas turbinas de um A320 causado por uma revoada de Quero-queros.
Muito boa resenha. Realmente fica a perplexidade com quão vulneráveis são esses motores.
Me lembro de um desenho do “Clube do Mickey” aonde o Pateta tentava mostrar a vida dos pobres passaros durante a temporada de caça nos EUA. Chamava-se na tradução “Tem pena de quem tem pena”. Senti a dor dos coitados dos Bem te vis, Sanhaços, Bacuraus e Queroqueros (sem hifén) ao serem degolados impunementes pelas pás da turbinas do Boing em questão.
Deve ter sido um fantasma, um espectro dos passáros mortos, quem, em stereo, detonou o A320.