Mairus Webber

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2009
É virtualmente impossível estacionar sua motocicleta dentro da lei na cidade do Rio de Janeiro
Quinta-feira, 5 de Março de 2009 - 9:56
Mairus Webber - 1,170 visitas

Outro dia fui ao Centro da Cidade de moto, pensando em estacionar na treze de março, em frente do Teatro Municipal, onde tem sempre um monte de motos paradas na larga calçada e que, segundo o guardador da prefeitura que trabalha por lá me disse, pode parar tranqüilo que não tem erro.
Só que quando eu cheguei lá o guardador era outro, e me disse que não pode parar na calçada, e nem nas vagas de carro, mesmo pagando o talão, e que eu deveria estacionar minha moto em um dos estacionamentos exclusivos, da Santa Luzia ou da Rua México… fui eu para a Santa Luzia, e lá havia um estacionamento para motos lotadíssimo, com vários motoboys montados em suas motos esperando na fila as vagas desocuparem.
Fui para a Rua México, nunca vi tantas motos na minha vida, impossível parar ali… toquei para a Rua da Candelária, onde em frente a FGV tem outro estacionamento de motos… lá eu consegui parar em uma vaga, que era tão apertada, mas tão apertada, que depois que eu desliguei a moto, levei uns dez minutos até conseguir sair dela.
Eu nunca ia imaginar que um dia sentiria claustrofobia montado na minha moto, e aconteceu.
Para sair de cima da moto eu tive que ficar em pé na pedaleira do carona e dar um passo largo para a calçada, correndo o risco de provocar um efeito dominó nas 567 motos estacionadas ao lado da minha.
– A partir de hoje, quando tiver que vir no centro de dia vou deixar a moto no Largo do Machado e vir de Metrô para cá para não passar esse perrengue de novo – pensei.
Detalhe: eu já tentei deixar a minha moto nos estacionamentos rotativos do Passeio Público e da Praça XV, mas eles não aceitam motos por lá.
Ontem eu tinha de ir ao centro, e parti para o meu plano de deixar a moto na minha vaga, no Largo do Machado, ao lado da banca de jornais, em frente à papelaria, na mesma calçada da Adega Portugália, quase na esquina com a Bento Lisboa.
Lá, bem em frente da minha vaga quase cativa, tinha um simpático Guarda Municipal e como eu sei que volta e meia tem rolado os chamados choques de ordem da prefeitura, que provocam lágrimas emocionadas nos retardados eleitores do Eduardo Paes, tratei de perguntar para o GM se podia parar ao lado da banca.
– Poder, pode – ele disse – mas não demora muito por que se passar a PM eles multam e rebocam.
– Então eu vou parar a moto em uma dessas vagas de carro a 90º da praça e pagar o talão. – tentei solucionar.
– Ah, isso não pode mesmo, dá reboque mesmo – respondeu o gentil GM, e foi quando eu constatei que “permitido” e “proibido” não são excludentes, pois existe um meio termo entre eles… segundo o GM existem três situações: a “pode”, a “não pode” e a “não pode mesmo”.
Ame-o ou deixe-o.
Aí eu, quase em xeque-mate, desabafei para ele – seu guarda, é impossível parar moto no centro, por isso eu estou parando aqui para ir de metrô para lá, mas o senhor está me dizendo que eu não posso parar nem na vaga de carro, nem na calçada, onde eu posso parar então?
Ele sorriu para mim e disse, franzindo o nariz – para ao lado da banca.
Hahahahaha, ai, ai.
Parei ao lado da banca, e no caminho para o Metro me aproximei de um guardador da prefeitura e perguntei se podia parar a moto na vaga dos carros, pagando pelo talão, e tal… – Ah, mas não pode de jeito nenhum, dá reboque, moto é na calçada.
E me dirigi ao metrô pensando no post que escreveria mais tarde.

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