– Vai dizer que aquele cara ia fazer melhor do que isso? Sente o conceito! Um pote de capsulas, que são o centro do seu negócio, onde o “D”, da palavra “drogaria”, gostou tanto do efeito da capsula que já está na sua barriguinha, que está tentando entrar no potinho para pegar mais capsulas, nem dando bola para as duas que já estão jogadas na mesa…
– Nossa, mas que idéia genial… mas me diga uma coisa, precisa mesmo daquele “dois pontos” depois do “Rede de”? Não seria mais simples apenas “Rede de Drogarias”, sem os dois pontos depois do “de”?
– Pare de pensar pequeno, e as expansões do negócio? Você quer ter que trocar de logo quando seu negócio englobar também uma rede de mototaxis? Os dois pontos já estão lá para isso. Daí o texto fica “Rede de: Drogarias e Mototaxis”, daí com uma breve adaptação na logo, com a aplicação de um farolzinho no meio do “T” de “Tambaú”, o “T” vira uma motoquinha, ou você acha que eu botei aquele “T” ali a toa?
– Meu sobrinho é um gêniozinho mesmo… imagina quanto terminar a faculdade de medicina? Vai fazer trabalhos ainda melhores…

Ontem enfim tive a oportunidade de apontar minha câmera para a cabeceira do SDU.
Maior festa por lá, fotografias liberadas, um monte de gente tirando fotos e filmando… alguns “Darwin Awards” querendo assistir às decolagens por de trás do avião, deixando maluco o segurança, que era gente finíssima e liberava geral para o pessoal tirar fotos do gramado (matagal) depois da cerca… minha vontade era ficar lá o dia inteiro.









Quero-querosEstava eu chegando no meu emprego de Paste-up na Gazeta Mercantil, no Teleporto, lá pelo ano de 1996 ou 97.
Como eu trabalhava no fechamento do jornal diário, meu horário era diferente, entrando às 13h e saindo às 21h, logo nunca pegava fila para os elevadores do prédio.
Entrei no saguão do Teleporto, na Cidade Nova, preparado para mais um dia de trabalho, chamei o elevador e esperei por breves segundos… din, dan, don, as portas se abriram e eu entrei no elevador vazio.
Levei uma fração de segundo para perceber que o lugar fedia muito, mas muito.
Algum passageiro que o havia usado antes de mim caprichou em uma flatulência de odor inignorável.
Antes de eu processar as possibilidades e tomar a decisão óbvia de abandonar aquele carro e esperar pelo próximo, as portas se fecharam e o elevador partiu rumo ao sexto andar, onde eu trabalhava, enquanto não me restava alternativa se não respirar aquele odor horroroso de gás de alho decomposto…
Mas o pior ainda estava por vir.
No mezanino do teleporto funciona o restaurante, que naquela hora tinha alta rotatividade de funcionários do local… não deu outra.
O elevador parou um andar acima, onde duas belas mocinhas entraram conversando e sorrindo em sua alegria juvenil… mas assim que entraram e a porta se fechou, os sorrisos desapareceram de seus semblantes foram substituidos por expressões de estranheza, de quase pavor… enquanto viravam-se para mim com um olhar de franca reprovação… quando elas adentraram o recinto eu já sabia tudo o que iria acontecer… tentei ficar imóvel na tentativa de que minha presença não fosse percebida, mas de nada mais adiantaria qualquer atitude que eu tomasse.
Em uma fração de segundo, enquanto eu era fuzilado pelo olhar de nojo pelas duas lindas jovens, me passou pela cabeça uma vontade desesperada de tentar explicar a situação, que eu nada tinha a ver com aquele triste cenário, mas aos poucos meu desespero foi sendo substituído pela resignação.
Nada do que eu tentasse fazer para desvincular a minha presença ali daquele horroroso odor que dominava o ambiente surtiria efeito.
Minha única reação foi um involuntário e envergonhado olhar de tristeza de como quem diz “desculpem-me, é que minha barriga anda péssima”.
Nem eu mais acreditava que eu não tinha cometido aquilo.
Quando eu desci no sexto andar já sentia a minha barriga revirando, como se todo o meu organismo já compartilhasse da opinião daquelas duas moças.
Com certeza, a partir daquele momento e para todo o sempre, eu tinha deixado de ser mais um desconhecido na multidão e passado a ser o nojento, o porcalhão, o desprezivel Peidão do Teleporto.
Cheque-mate.