É muito freqüente o indivíduo me passar o número de seu telefone em um grupo de quatro dezenas, tipo “vinte e cinco, cinqüenta e sete, quarenta e oito, setenta e quatro”… qual será o sentido disso? Será que é para eu aproveitar e fazer dois duque de dezenas com o bicheiro mais próximo, ou as pessoas acham mesmo que fica mais fácil de compreender, anotar e tal?
Por que não simplesmente “dois cinco cinco sete quatro oito sete quatro”? A economia de fonemas é enorme… será que é para mostrar o vasto conhecimento em matemática e na língua portuguesa?
Outra coisa que acontece é nos programas populares de rádio os locutores se referem aos números ordinais, quando fazem referências às delegacias como “o elemento foi levado para a cinqüenta e quatro DP”, ignorando o ordinal…
Nesse caso fica mesmo mais fácil do que dizer “qüinquagésima quarta DP”, o que dificilmente seria compreendido pelo público-alvo do programa… apesar de ficar mais bonito se o cabra falar simplesmente “DP54″… mas quanto ao telefone eu realmente não entendo qual a lógica da coisa.
Vou começar a dar meu telefone no formato “vinte e cinco milhões, quinhentos e setenta e quatro mil, oitocentos e setenta e quatro”, daí sim vou tirar onda e deixar a galera do four de dezenas no chinelo.
Dizem os cientistas que o cérebro só possui de 5 a 7 quadrados de memória de acesso rápido e que quando precisamos de mais espaço trapaceamos colocando informações “zipadas”.
Um telefone meu antigo eu falava “quarenta, sete, oito”. Meu CEP atual é “zero-cinco, zero-dezessete, zero-vinte”. É como eu decorei.
Pior mesmo é meu CPF. Quando eu decorei não sabia que as pessoas guardavam em grupos de 3 números então falo de 2 em 2 fechando com os 3 últimos em sequência. As atendentes gerundistas ficam loucas. Se elas repetem para eu conferir quem fica louco sou eu. Truques do cérebro.
Sugiro ler esse livro aqui:
http://www.crisdias.com/2006/12/09/mind-wide-open/
Entendo isso dos 5 a 7 quadrados de memória… eu decoro os números… aliás, eu decorava, quando era possível se decorar os números de telefone das pessoas, lá pelos anos 80… mas eu decoro os números pela musicalidade, tipo, eu vejo a musiquinha que o número faz, e por isso, se eu quiser mesmo guardar um número ou mesmo um nome, eu tenho que fala-lo para mim mesmo, de preferência em voz alta… só assim meu cerebelo resistra.
Eu falo meu telefone celular em pares de dezenas. Meu CPF em trio de números.
Varios números eu decoro pelo percurso dos dedos pelo teclado, ai se eu preciso passar estes numeros para alguém, eu preciso visualizar um teclado e fazer mentalmente o percurso. Pouco prático mas…
Cada um usa os miolos como preferir!
Brains!
A minha senha do banco eu também decoro pelo movimento dos dedos, funciona que é uma beleza.
Meu CPF eu também digo em trios de números, mas no formato “zero um meia, três meia cinco…” e não “zero dezesseis, trezentos e sessenta e cinco…”, flagra?
nossa, enquete importantíssima! é o presunto oferecendo mais um serviço de utilidade pública…
eu não costumo dizer o meu número em par de dezena não. mas meu novo número de celular termina em 1144. então acho mais fácil falar “onze, quarenta e quatro” do que “um, um, quatro, quatro”
“onze” é mais fácil do que “um um”, mas “quarenta e quatro” não é mais fácil do que “quatro quatro”. Eu também digo o final do meu celular como “trinta sete meia”, mas o tiro de “trinta setenta e seis” sairia pela culatra.
A questão mais grave ficou de fora: a máquina do serviço de informações da Telemar fala “seis” em vez de “meia”. Confunde-se facilmente com “três”.
Talvez algum gênio executivo da empresa tenha achado o “meia” incorreto ou muito antiquado.
Eu sou adepto da técnica “mão no teclado”. O único, e grave, problema, é que o teclado do banco é ao contrário do teclado do telefone! Então não adianta tentar lembrar a senha do banco no teclado do celular, e vice-versa. Aliás, quem é que ainda usa o teclado do celular? Acho que pra cada pessoa da minha agenda eu só digitei o número uma vez (pra pôr na agenda), depois nunca mais…