Mairus Webber

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2009
A divertida história do pega entre Mairus com sua Virago e o malvado do Santana de neon e pintura perolada
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009 - 21:50
Mairus Webber - 323 visitas

Estava eu montado na minha motoca, na pole position do sinal do posto Mengão, esperando que fique verde para seguir pela Borges de Medeiros na direção norte para pegar o Túnel Rebouças no caminho de casa, voltando do trabalho, nos tempos de MarktHaus, Gênesis da Puc.
Não pude deixar de reparar no Santana ao meu lado, todo empapagaiado, de farol azul, neon verde, interior de chão de ônibus, ronco de veneno, e na boléia um sujeito de cara de malvado, que me encarava e pisava ameaçadoramente no acelerador, produzindo um ronco sinistro nos 2000CC do seu motor AP.
– Vamos ver se esse carro alegórico anda mesmo – pensei, já observando o sinal dos pedestres piscando, anunciando que a brincadeira ia começar… “Rrrrooonnn, rrooonnn”, comecei eu acelerando minha motoca, chamando para briga, e o “Mad Max” ao meu lado respondia “RRRÁÁÁÁÁÁNNNNN, RRRÁÁÁÁÁÁNNNNN, RRRÁÁÁÁÁÁNNNNN…” – isso vai ser divertido – pensei, mas na verdade com a certeza de que ia comer uma poeira monstra.
Sinal verde.
Saí derramando gasolina nos meus dois carburadores Webber, roncando bonito e só esperando o neonzão me deixar para trás, o que não acontecia nunca… olhei no espelho… e o cara tinha deixado o motor morrer, e ficou parado no sinal com as kombis buzinando atrás… – que goiaba – pensei… alcancei os 70km/h regulamentares da via e seguia em MRU na reta do ex-Tivoli, quando ouvi um ruído enlouquecido de gasolina sendo queimada com violência, e marchas sendo trocadas com raiva, ruído que crescia rapidamente… recolhi para a direita com um certo cagaço, e fiquei esperando o malvado do santana perolado passar, o que não tardou acontecer… o cabra passou por mim como um bólido, deixando um cheiro de óleo queimado, e não parou de acelerar nem quando já ia longe… parecia mesmo que só me ultrapassar daquela forma não bastava, era necessário fazer o carro pagar pela vergonha de ter ficado parado no sinal na hora mais importante da noite.
Eu nem me lembrava do pardal que tem ali quase chegando no Piraquê, só me lembrei dele quando meu algoz foi lindamente fotografado, em um poderoso flash, que deve até ter acordado os cavalos no jóquei… como todos que passam pela desagradável situação de levar um flash desses pelo “derrière”, o zé mané deu uma inútil tirada de pé, no arco reflexo, aquela tiradinha de pé sinônima de “ai, menos quinheintinhos na conta”, e não perdeu a pose, enfiou o pé de novo e saiu enlouquecido, cantando pneu de quarta, do tipo “fodido, fodido e meio”, ou “o que é mais um peido pra quem já tá cagado?”… enquanto nesse interim o escroto polaco Mairus gargalhava em altos brados montado na sua humilde motocicleta rumo aos braços da sua amada…

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