
A Northwest Airlines já foi uma das maiores companhias americanas, mas hoje foi comprada pela Delta, e vai aos poucos tendo seus aviões pintados de Delta, em uma extinção parecida com a que aconteceu com a brasileira Cruzeiro.
Desde seus primeiros aviões a NWA utiliza como símbolo a imagem da bússola apontando, obviamente para o NW.
Na bela plumagem anterior à atual da empresa os aviões eram pintados com três faixas horizontais, de cima para baixo vermelha, cinza e preta, além da barriga branca, com a aplicação do nome “Northwest” na faixa cinza, em branco, com fonte serifada, à frente do avião, alinhado com as primeiras janelas da fuselagem, e no leme, a logo da bússola, que tinha além do ponteirinho apontando para o NW, um “N” em itálico vazando para fora do círculo e criando um balanço legal.
Interessante observar que não importa para qual lado o avião estivesse voltado, a bússola da logo sempre apontava para o NW, já que era aplicada da mesma forma nos dois lados, tendo seu ponteiro as vezes apontando para a frente e as vezes para trás… já deu para entender, né…
Muito bem, veio a reformulação da identidade visual e esta melhorou muito, com a abolição da tipografia serifada e da substituição do nome “Northwest” para a sigla “nwa”, em uma fonte grotesca, bem bold, e em caixa baixa, parcialmente dentro da bússola, e conforme for o lado para que o avião está voltado, a letra que fica dentro do círculo ora é o “n”, ora é o “a”… até aí tudo bem, mas o problema é justamente com a bússola, que, não sei se por o designer ter consultado uma cartomante ou um numerólogo, agora tem seu ponteiro apontando sempre para a frente, e conseqüentemente, quando o avião está voltado para a esquerda, a bússola da logo não mais ponta para o noroeste, mas para o nordeste.
Que beleza.
Quando eu vi a imagem do avião da NWA com a pintura nova, o A319 estava virado para a direita, com a bússola portanto apontando para o ponto cardeal correto, e pensei “vou fazer um post sobre essa pintura por que está bonitona”, e fui procurar outra foto onde o avião estivesse voltado para o outro lado, para ver como havia sido resolvida a questão da bússola apontar sempre para o NW, e daí veio a decepção, a bússola fica errada… que vacilo… será que eu sou chato demais? pois para mim parece tão elementar que a bússola deveria apontar sempre para o noroeste… até para os passageiros não acharem que vão acabar em um pouso forçado no meio da amazônia, como foi com o vôo do comandante Garcez… para mim, a pintura e a logo são bem bonitas, mas rolou um #fail.
Desde que vim morar no Flamengo, as vezes aproveito a bicicletada matinal e passo no templo sagrado da fotografia aeronáutica doméstica, também conhecido como cabeceira do SDU, e tiro algumas fotos dos aviões que estejam passando por lá… é bem verdade que o melhor horário é à tarde, quando o sol fica atrás de mim, já que os seguranças não deixam mais os pobres spotters ultrapassarem a cancela, o que limita bastante a diversão, e à tarde eu não tenho podido me dedicar ao robe, então vou de manhã mesmo… dias encobertos também ajudam muito. Tem dois 737-700, um da WebJet (sem comentários para a logo da cauda) e outro da Gol, um A319 da Tam… incrível como são parecidas as suas plumagens, trocando só a cor… várias fotos de um EMB-195 da Azul, que desfilou para mim quando o vento virou… essa eu gostei do Brasil pixelizado da cauda… um ERJ-145 da Força Aérea e uma colorida foto das caudas dos aviões estacionados no pátio do SDU. Em 2010 vai ter muito mais!!!









Lindos, lindos, lindos, lindos!!!
Que trabalho maravilhoso de design!
Que linda aplicação de helvética!
Que escolha feliz de cores!
Garanto a vocês que os donos da empresa deixaram os designers trabalhar em paz, sem ficar dando um monte de palpites idiotas, do tipo “mas a estrela da logo da barriga tem que ser da mesma cor que a estrela do leme que se não vai descaracterizar a marca”, “dos dois lados do leme a estrela tem que ficar no alto”, “nhe, nhe, nhe!!!”.
Eu me emociono com um belo trabalho como este.
Meus olhos lacrimejam de alegria ao ter composições tão agradáveis projetadas em suas retinas.
Até a aplicação do tubarão do Sea World ficou uma gracinha!
E muito legal também como eles valorizaram a barriga do avião, que é das partes mais vistas por quem está em terra.
Irretocável.
Palmas.
A primeira impressão que se tem quando se vê uma peça de design é muito importante, adaptando a expressão usada pelo meu professor de varejo Roberto Kanter, “não existe uma segunda chance para se causar uma primeira impressão”, e quando eu vi pela primeira vez os aviões da My Travel, simpatizei muito com elas, não sei se pela originalidade e ousadia de se propor uma solução diferente, ou se simplesmente por que eu gosto de ovais.
De qualquer forma a minha primeira impressão foi boa.
Achei a plumagem moderna sem ser clichê, achei forte mas não excessiva… na verdade eu achei linda.
Daí fui tentar entender a logo, e foi quando comecei a desconfiar que estava sendo enganado… a loguinho é meio safadinha, com aquela fonte angulosa aplicada na oval, sem nenhuma conversa entre as duas, e aquele “y” com aquela bolinha vermelha, será que é uma pessoa de braços abertos? Ou quem sabe o alienigena do Contatos Imediatos do Terceiro Grau…
Daí, quando eu impliquei com a logo, passei a desconfiar mais da plumagem, aplicando os ensinamentos do Eppinghaus, meu professor de Meios e Métodos de Representação na Esdi, que dizia que mesmo que o seu trabalho esteja lindo e maravilhoso, se ele tiver uma imperfeição, será ela a primeira coisa a ser notada, e todo o trabalho estará comprometido.
Eu ainda gosto dos aviões da My Travel, mas não tanto quanto eu gostei da primeira vez que os vi.
Ontem enfim tive a oportunidade de apontar minha câmera para a cabeceira do SDU.
Maior festa por lá, fotografias liberadas, um monte de gente tirando fotos e filmando… alguns “Darwin Awards” querendo assistir às decolagens por de trás do avião, deixando maluco o segurança, que era gente finíssima e liberava geral para o pessoal tirar fotos do gramado (matagal) depois da cerca… minha vontade era ficar lá o dia inteiro.









Quero-queros
Linda essa feliz história do irretocável pouso forçado realizado por Chesley B. “Sully” Sullenberger, piloto do Airbus 320-214 N106US da US Airways, que fazia o vôo 1549, do aeroporto de La Guardia, em Nova Iorque para Charlotte, na Carolina do Norte, EUA.
Logo após decolar, o avião atravessou um bando de pássaros, que provocaram o colapso das duas turbinas do aparelho.
Ao perceber que não conseguiria chegar a nenhum aeroporto, o valoroso piloto, mais rápido que um guepardo traçou uma rampa para aterrissar (ou aquarrissar) no Rio Hudson, manobra que executou com maestria, permitindo o resgate em segurança de todos os 155 passageiros e tripulação.
Palmas para Sully e sua equipe por conseguirem esse feito heróico, ainda mais se tratando de um modelo que tem as turbinas embaixo da asa, o que eu imagino que tenha dificultado ainda mais a manobra, pois devem ter sido elas as primeiras a tocarem o leito do rio, tanto é que se espatifaram, o que deve ter dado uma boa desequilibrada no avião.
Mas o motivo de eu escrever esse post é para, graças ao meu pífio conhecimento aeronáutico, poder fazer algumas outras observações a respeito do evento.
Uma empresa que deve estar dando pulos de alegria, e que merece mesmo os nossos cumprimentos, é a Airbus SAS, pelo simples fato de ter feito um avião que bóia.
Isso mesmo, sempre que eu ando de avião eu vejo naquele encarte um desenho de um avião boiando graciosamente no oceano enquanto as pessoas vão calmamente saíndo pelas portas de emergência para as asas esperarem pelo socorro, e sempre achei que aquilo fosse uma grande forçação de barra do fabricante (Tyler Durden também), pois eu nunca tinha tido notícia de um avião daquele tamanho ficar boiando como um patinho de borracha após um pouso forçado como o do vôo 1549.
Claro que o maior mérito é mesmo do piloto, que fez uma manobra altamente precisa, mas um bom projeto permitiu ao avião boiar por tempo suficiente para que o resgate fosse feito com segurança.

Lembrem-se que nem Jack Lemmon, na pele do Comandante Don Gallagher, conseguiu evitar a submersão de seu Boeing 747-100 após uma manobra semelhante em Aeroporto 1977… tudo bem que deve ser mais difícil pousar um jetliner no Rio Hudson do que no Triângulo das Bermudas, e se fosse tão simples um avião permanecer boiando após um pouso na água, a Boeing não permitiria que expusessem seu modelo top de linha da época a uma situação como aquela… ou permitiria?
Meu outro comentário sobre o evento é de como são frágeis essas turbinas!
Como pode um equipamento de ponta como uma turbina de um avião de grande porte, como um A320, entrar em colapso por causa de um choque com alguns Bem-te-vis?
Eu assisti certa vez vi no Discovery Channel, a um programa que mostrava os testes a que são submetidas as turbinas de aviões de grande porte, no caso, eram as usadas em Boeings 747.
O teste mostrava um canhão que atirava pássaros mortos em grande velocidade ao encontro da turbina em funcionamento, e o filme em câmera lenta mostrava uma grande covardia, onde os pobres pássaros eram destroçados, esmigalhados, sem causar nenhum dano aparente nas pás da turbina.
Ora, as turbinas do A320 são fabricadas ou pela International Aero Engines, que é uma Joint Venture composta pela americana Pratt & Whitney, a inglesa Rolls Royce, a alemã MTU, e as japonesas Kawasaki, Mitsubishi e Ishikawajima-Harima, ou pela CFM International, que é composta pelas igualmente consagradas General Electric, dos EUA, e a francesa Snecma (as do avião do episódio eram CFM), ou seja, o que há de melhor em matéria de turbinas no mercado… se é que existem outras… e ainda assim uma meia-dúzia de sanhaços joga no chão um primor da tecnologia de ponta como um moderno A320.
Sinceramente, se formos comparar os volumes em questão é como imaginar uma carreta de seis eixos capotar após passar sobre um grupo de besouros… e o teste que eu vi no Discovery Channel?
E as pás daquela turbina desberlotando aqueles bacurais como se fossem bananas em um liquidificador?
Inimaginável.
Não sei qual dos fatos envolvidos nesse evento é o mais inacreditável, se a sensacional aterrisagem no fio da navalha feita pelo piloto-herói Sully, ou o colapso das duas poderosas turbinas de um A320 causado por uma revoada de Quero-queros.
Depois de anos sem pôr os pés de fora da cidade maravilhosa, neste último fim-de-semana tivemos a oportunidade de passar alguns dias curtindo as exuberantes manifestações biológicas do sítio do Jean, em Alberto Torres, quilômetro 30 da BR-040.
Excelente oportunidade para o famoso fotógrafo demonstrar todo o seu talento com as lentes de sua fabulosa H50…








