Trabalhei em regime CLT entre os anos de 1996 e 2000 no extinto jornal de economia “Gazeta Mercantil”, de onde pedi demissão em abril de 2000 para ir trabalhar na fabulosa Interconnection Informática, e é lógico, hoje eu sei bem o porque, que se negaram a me demitir quando eu perguntei se havia essa possibilidade, o que me levou a ter de pedir demissão, e assim abrir mão de retirar meu modesto FGTS, de quatro anos e três meses de trabalho para o pomposo periódico que pertencia na época a família Levy.
Toquei a vida e no início de 2006, quando a próspera empresa de TI foi para o vinagre, fui retirar o meu FGTS que eles haviam depositado… na época eu consultei também se poderia retirar o benefício referente ao tempo que trabalhei para a Gazeta, mas me foi dito que para isso eu teria de ter ficado por três anos sem outro trabalho de carteira assinada, o que não tinha acontecido… tudo bem, deixei lá meu rico dinheirinho para retirar quando fosse possível.
Já em janeiro de 2010 me lembrei daquela “poupança” e, muito precisado, corri para a Caixa para enfim pôr as mãos no que era meu por direito, mas a pressão da cabine caiu completamente quando a moça da caixa me disse que o valor que a Gazeta havia depositado em minha conta era de redondos R$ 0,00.
Me orientou a procurar um advogado para entrar com processo contra o hoje dono dos direitos da Gazeta Mercantil, o Jornal do Brasil.
Epílogo: Acabo de telefonar para o advogado especialista em processar a Gazeta Mercantil, e ele me disse que eu já perdi esse dinheiro há muito tempo, que o prazo para eu ter processado o jornal era até 2002, fim de papo.
Ou seja, me fodi de verde e amarelo.
Fui descontado em 10% de cada salário que recebi da Gazeta para pagar pelos benefícios futuros que o regime “celetista” me garantia, e hoje descobri que o que a minha carteira assinada garantiu foram algumas taças de champanha e bolas de golfe para meu ex-patrão, o montado na grana Herbert Levy.
Incrível como a lei é toda feita para beneficiar quem está por cima, pois como o governo deixa os caras me roubarem esse tempo todo sem dar um pio?
Esse país é uma MERDA!
Bando de ladrões safados pilantras odiosos inescrupulosos, que morram todos.
E em fevereiro tem carnaval.
Flagrantes do mais poético e charmoso bairro do Rio de Janeiro… alguns revelam características inconfundíveis dos nossos colonizadores.


Mais uma instalação da Cedae.
Foi aprovada pela assembléia legislativa do Rio a lei que regulamenta os bailes funk e os promove ao status de “movimento cultural”.
Que bom que nosso poder público se preocupa com a cultura.
A mudança da lei já pôde ser verificada de dentro da minha própria residência, que outra noite já foi graciosamente invadida pela cultura, que vinha a plenos pulmões de comunidades nem tão próximas…
Algumas das estrofes culturais da poesia que atravessava os vidros das nossas janelas eram facilmente identificáveis:
Decisões como essas que me fazer sentir orgulho de morar em uma cidade cosmopolita como o Rio de Janeiro, onde os governantes não medem esforços para que seus cidadãos contribuintes tenham acesso à cultura sem ter sequer que colocar seus narizes para fora de casa.
Minha Laura querida, do alto dos seus dois aninhos, agradece.
Precisando hoje de manhã descobrir o telefone do Laboratório Sérgio Franco, e cansado de esperar o carregamento do maravilhoso site em flash com todos os seus incríveis recursos audiovisuais, resolvi telefonar para o velho 102 para ver se conseguia o número.
Robô: Bem-vindo ao 102, blablabla, diga se o número que procura é pessoal ou de empresa.
Eu: Empresa.
Robô: Entendi. Empresa. Agora diga se confirma.
Eu: Confirma.
Robô: Não entendi. Diga, por favor, se confirma.
Eu: Confirma.
Robô: Entendi. Agora diga por favor o nome da cidade de onde fala.
Eu: Rio de Janeiro.
Robô: Entendi. Rio de Janeiro. Agora diga se confirma.
Eu: Confirmo.
Robô: Entendi. Agora diga o nome da empresa.
Eu: Sérgio Franco.
Robô: Entendi. Sergio Franco. Agora diga se confirma.
Eu: Confirmo.
Robô: Entendi. Agora diga o Bairro desejado.
Eu: Laranjeiras.
Robô: Não Entendi. Diga somente o nome do Bairro, por exemplo, “Cacuia”.
Eu: Laranjeiras.
Robô: Não Entendi. Diga somente o nome do Bairro, por exemplo, “Cacuia”.
Eu: La-ran-jei-ras.
Robô: Não Entendi. Diga somente o nome do Bairro, por exemplo, “Cacuia”.
Eu: LARANJEIRAS.
Robô: Entendi. Laranjeiras. Agora diga se confirma.
Eu: Confirmo.
Robô: Um momento, por favor.
Daí eu fiquei uns quinze segundos ouvindo musiquinha, até que atende uma moça, de carne e osso.
Moça de carne e osso: 102, auxílio à Lista. qual a informação, por favor?
Eu: Perdão?
Moça de carne e osso: 102, auxílio à Lista. qual a informação desejada, por favor?
Eu: Mas eu já falei tudo. Agora você me diz o número, não é isso?
Moça de carne e osso: (com voz de quem já está de saco cheio) Pode repetir a informação desejada, por favor?
Eu: Não, não posso. Por que vocês me fazem então responder tudo para aquele robô?
Moça de carne e osso: (suspiros e grunhidos)
A essa altura o avaçadíssimo site em flash do Sérgio Franco já tinha terminado de baixar todos os seus recursos maravilhosos, e eu pude graciosamente desligar o telefone na cara da azeda moça 102.
YES!!! AGORA ELA APRENDEU A LIÇÃO!!!
Se quiser se estressar segunda de manhã, eu recomendo 102, Auxílio à Lista.
Boa semana a todos.
Sexta-feira resolvi botar mais um ponto de Net na minha casa, além de fazer um upgrade no meu pacote para um que tenha os telecines.
Muito bem, telefonei para 4004-7777, e fui para a seção de compras, e lá acertei tudo e agendei uma visita de um cabra da Net para sábado de manhã, entre as 8h e 11h, para instalar os transcoders correspondentes à minha nova configuração de TV a cabo.
Ainda tomei o cuidado de avisar que o meu interfone está quebrado, que era para quando o cara chegasse, chamar um porteiro para abrir a porta para ele, pois já aconteceu de o cara vir aqui com o interfone quebrado (o interfone aqui vive quebrado), tocar uma vez, entrar no carro e ir embora, daí sabe o que acontece? O cliente furão tem que pagar R$ 50,00 pela vinda do cara a toa.
Paguei 50 pratas muito puto dentro da roupa.
E no sábado, advinhe.
Claro que ninguém apareceu, mas é um direito deles, pois apesar de eu ficar esperando no horário combinado, a Net não me paga 50 pratas por ter furado comigo, mas já estou conformado com isso também, não me causa surpresa, afinal sou consumidor, sou brasileiro, sou otário, eles são oligopólio, os concorrentes são farinha do mesmo saco, se eu não estiver satisfeito, tenho todo o direito de não assistir televisão… mesmo assim são horas no telefone para cancelar a Net.
Já tentei, e é um épico.
Mas até aí, tudo dentro do previsto, eles marcaram e não vieram, 10h57 eu telefonei para a Net, a moça me pediu o meu telefone, e me disse que o cara da área técnica “estaria me ligando” para dar alguma satisfação.
Como já era de se esperar, lógico que ninguém me telefonou.
Paciência, segunda eu ligo de novo e tento mais uma vez… um dia eu consigo, afinal comprar é sempre mais fácil do que cancelar, ou solicitar conserto.
Estava hoje curtindo o domingo quando a minha Net caiu… Puf!
Liguei para a net e daí veio a minha surpresa.
O robô simpático já me atendeu perguntando se eu queria tratar de algo referente a visita agendada para quarta-feira entre 8h e 11h.
Ué?!?!?
Como assim “quarta-feira, das 8h às 11h”?
E ninguém me conta nada?
Será que eu estou incomodando?
Se a minha Net não tivesse caído eu nunca ia descobrir que os caras vão vir aqui na quarta, e sabe o que iria acontecer?
O babaca aqui ia ter que pagar as malditas 50 pratas por não estar em casa no horário que eles marcaram e não me avisaram.
Mas a menina que me atendeu não sabia de nada disso, e quando eu falei que estava sem net, sabe o que ela fez?
Que dúvida!
– Me dê o seu telefone, Sr. Mairus, que um representante da área técnica vai estar te telefonando para saber se o seu sinal já foi reestabelecido.
Um prêmio para quem adivinhar se alguém me ligou.
Outro dia fui ao Centro da Cidade de moto, pensando em estacionar na treze de março, em frente do Teatro Municipal, onde tem sempre um monte de motos paradas na larga calçada e que, segundo o guardador da prefeitura que trabalha por lá me disse, pode parar tranqüilo que não tem erro.
Só que quando eu cheguei lá o guardador era outro, e me disse que não pode parar na calçada, e nem nas vagas de carro, mesmo pagando o talão, e que eu deveria estacionar minha moto em um dos estacionamentos exclusivos, da Santa Luzia ou da Rua México… fui eu para a Santa Luzia, e lá havia um estacionamento para motos lotadíssimo, com vários motoboys montados em suas motos esperando na fila as vagas desocuparem.
Fui para a Rua México, nunca vi tantas motos na minha vida, impossível parar ali… toquei para a Rua da Candelária, onde em frente a FGV tem outro estacionamento de motos… lá eu consegui parar em uma vaga, que era tão apertada, mas tão apertada, que depois que eu desliguei a moto, levei uns dez minutos até conseguir sair dela.
Eu nunca ia imaginar que um dia sentiria claustrofobia montado na minha moto, e aconteceu.
Para sair de cima da moto eu tive que ficar em pé na pedaleira do carona e dar um passo largo para a calçada, correndo o risco de provocar um efeito dominó nas 567 motos estacionadas ao lado da minha.
– A partir de hoje, quando tiver que vir no centro de dia vou deixar a moto no Largo do Machado e vir de Metrô para cá para não passar esse perrengue de novo – pensei.
Detalhe: eu já tentei deixar a minha moto nos estacionamentos rotativos do Passeio Público e da Praça XV, mas eles não aceitam motos por lá.
Ontem eu tinha de ir ao centro, e parti para o meu plano de deixar a moto na minha vaga, no Largo do Machado, ao lado da banca de jornais, em frente à papelaria, na mesma calçada da Adega Portugália, quase na esquina com a Bento Lisboa.
Lá, bem em frente da minha vaga quase cativa, tinha um simpático Guarda Municipal e como eu sei que volta e meia tem rolado os chamados choques de ordem da prefeitura, que provocam lágrimas emocionadas nos retardados eleitores do Eduardo Paes, tratei de perguntar para o GM se podia parar ao lado da banca.
– Poder, pode – ele disse – mas não demora muito por que se passar a PM eles multam e rebocam.
– Então eu vou parar a moto em uma dessas vagas de carro a 90º da praça e pagar o talão. – tentei solucionar.
– Ah, isso não pode mesmo, dá reboque mesmo – respondeu o gentil GM, e foi quando eu constatei que “permitido” e “proibido” não são excludentes, pois existe um meio termo entre eles… segundo o GM existem três situações: a “pode”, a “não pode” e a “não pode mesmo”.
Ame-o ou deixe-o.
Aí eu, quase em xeque-mate, desabafei para ele – seu guarda, é impossível parar moto no centro, por isso eu estou parando aqui para ir de metrô para lá, mas o senhor está me dizendo que eu não posso parar nem na vaga de carro, nem na calçada, onde eu posso parar então?
Ele sorriu para mim e disse, franzindo o nariz – para ao lado da banca.
Hahahahaha, ai, ai.
Parei ao lado da banca, e no caminho para o Metro me aproximei de um guardador da prefeitura e perguntei se podia parar a moto na vaga dos carros, pagando pelo talão, e tal… – Ah, mas não pode de jeito nenhum, dá reboque, moto é na calçada.
E me dirigi ao metrô pensando no post que escreveria mais tarde.
Que beleza.
Se fosse época de Arte de Portas Abertas aqui em Santa Teresa eu poderia pensar que era alguma instalação da seção “Interferências Urbanas”, pois já faz mais de uma semana que essa cratera está aberta na esquina da Almirante Alexandrino com a Júlio Otoni, e a cada dia os tapumes estão mais destruídos, ostentando ainda uma orgulhosa e invertida (piada?) logo da Ceg em uma das estruturas de compensado que naufraga juntamente com a nossa cidadania em mais uma gritante demonstração de quanto o poder público CAGA em cima do cidadão otário pagador de suas contas e tributos.
Hoje a noitinha quando eu passei ele estava cheio de água, apesar de não ter chovido, provavelmente alguma colaboração da nossa valorosa Cedae para a refrescância das pobres larvas e pupas da dengue… hoje fez um calor infernal… destaque para a tabuinha com quatro pregos graciosamente virados para cima bem no estreito caminho dos nossos queridos e frágeis pneumáticos… sei que estraguei parte da piada, mas retirei a madeira com os pregos e joguei para dentro do buraco… coisa que também nenhum pedestre desgraçado se dignou a fazer… povinho safado… será que estou ficando velho e rabugento?



