Quando eu vi pela primeira vez uma propaganda de banco usando essa técnica “tilt-shift“, eu achei uma gracinha o efeito de maquete, apesar de ser propaganda de banco (eu tenho uma bronca danada de banco), mas demorei (menos que os 30 segundos) até descobrir que não se tratava mesmo de uma maquete, e fiquei fascinado com a ilusão causada em meu cerebelo.
Hoje São Google Reader me presenteou com este filmezinho, “The Sandpit“, que mostra cenas de NY, que além do tilt-shift, são reproduzidas em alta velocidade, criando um efeito muito bacana, vale a pena gastar esses cinco minutos e meio.
Desde a primeira vez que tive contato com o efeito, eu achei que tratava-se de uma câmera com uma profundidade de campo microscópica, que existe mesmo, segundo a wikipedia foi inventada em 1973, mas olhando com atenção ao filme conclui que o efeito, ao menos em algumas tomadas, é obtido com a simples aplicação de blur nas partes superior e inferior da imagem, deixando apenas a parte do centro no foco, pois ao longo do filme, nunca a parte superior fica em foco, mesmo que o objeto esteja no mesmo plano que o da parte central da imagem, que está no foco… repare na foto do guindaste. A cabine está no foco, mas o braço, apesar de estar no mesmo plano que a cabine, está desfocado… se o efeito fosse dado por a profundidade de campo ser de uma lâmina, o braço do guindaste estaria no mesmo foco que a cabine, pois âmbos estão no mesmo plano… faz sentido? Segundo as explicações do autor, tudo que eu falei até agora não passa de baboseira, mas meus argumentos fazem algum sentido sim… não sei dos pormenores dessa lente da Nikon, mas que uma simples aplicação de Photoshop é capaz de gerar um tilt-shift bem convicente, isso é.
De qualquer forma, no final pouco importa se o desfocado é fake ou não, pois o nosso cerebelo é enganado do mesmo jeito, e o efeito mágico que faz as imagens parecerem um monte de brinquedinhos continua sendo incrível.

The Sandpit from Sam O'Hare on Vimeo.
Meu pai me mandou isso por spam.
É um filme feito de uma Ferrari pelas ruas de Paris, onde o cara enfia a bota.
Legal pra caramba, com destaque para o ronco do carro, as trocas de marcha… um dia vou ter uma carro que ronque desse jeito… o pneu cantando nas curvas e os pombos fujindo da ferrari enlouquecida… legais também os carros que eles ultrapassam, citroens, peugeots e renaults, que tinham linhas esquisitíssimas (e interessantes) à aquela época… isso merece até um post…
O fim meio pela-saco é compreensível para lincar com a atmosfera trés romantique da cidade…
O texto original do e-mail mais abaixo dá explicações mais detalhadas:

Eu sei que o filme é de 2002, mas eu é que não ia pagar para ir ao cinema assistir a um filme com Mel Gibson, nem tampouco adquirir o DVD do título, ainda mais depois de ouvir tudo o que me disseram sobre o filme, comentários em sua maioria bastante desanimadores.
Assisti ao filme ontem, depois do lamentável Fantástico Show da Vida, na Globo, que nunca me decepciona, piorando a cada edição… talvez tenha sido o trauma de ter acabado de assistir a um lixo como aquele foi que me fez adorar “Signs“.
Eu havia assistido, na tarde do mesmo dia, ao terço final do maravilhoso “Gladiador“, também com Joaquin Phoenix no papel do malvado Commodus (filmaço!), e fiquei feliz em ver o ator em um papel mais amigável, o que também contribuiu para que eu gostasse do filme.
“Signs” é como uma mistura de “Independence Day” com “Guerra dos Mundos” e “Noite dos Mortos Vivos“… no trivia do IMDB consta mesmo que o autor se inspirou no clássico do George Romero, além de outro que eu nem tinha me dado conta, que é na verdade o pai dos “filmes-de-pregar-tábuas-nas-janelas”, “The Birds” do Hitchcock, e eu, enquanto fanzoca do George Romero e do gênero, fiquei apavorado com “Signs”, tendo assistido à metade final do filme usando um chapéu de papel-alumínio na cabeça.
O filme pega meio pesado com a pavorosa história da mulher do ex-padre Graham Hess, que puxa um barbante de uma certa paranóia religiosa, mas também não posso ser preconceituoso e não vou detonar o filme por causa disso.
Concluíndo, se você gosta de ETs e de zumbis, vai gostar de “Signs”… ou já gostou, né, pois o filme já tem sete anos e eu devo ser o último habitante da Via Láctea a te-lo assistido… não importa, esse blog é para isso mesmo.
Depois do Papelão nas Estrelas, nossos leitores merecem material mais elaborado. Aqui uma boa coleção de videos. Aguns eu já tinha visto outros ainda não. Esse aqui eu achei particularmente bem feito e bem bolado. Mãos ao alto, passe oito minutos de sua vida para ver: “George Lucas in love…”
Diversão garantida!!! pelo menos para os produtores/atores/diretores deste instant classic!!!
Nos anos 70 arqueólogos italianos escavaram da cidade queimada no Iran um pequeno potinho que mostrava imagens de um bode saltando. Mas apenas recetemente pesquisadores Iranianos constataram se tratar de uma sofisticada animação.saiba mais
Bem, este post era para ter sido escrito em dezembro, e ser uma dica de presente de natal. Devido as críticas a minha preguiça (totalmente reais) e aproveitando que o Cris Dias postou sobre o lançamento da versão definitiva-final-redux-unabridged do filme do Riddley Scott, “Blade Runner” baseado neste livro, arregaço as mangas e ao trabalho.
Bem para começar eu acho um saco esse negócio do diretor ficar mudando o filme e dizendo que agora finalmente está como ele queria. Eu acredito que o filme é o que passou no cinema e eu vi. Editar um filme para que ele se torne um produto comercial é um problema comum a todos os diretores. Só para citar alguns, Polanski, Kubrick e Coppola nunca ficaram com esse nhém-nhém-nhém de ficar mudando o filme, incluindo cenas cortadas na edição no DVD. E olha que alguns filmes destes diretores citados, foram sucesso de bilheteria com mais de 3 horas de filme (Tess, 2001 e Apocalipse Now por exemplo). Tá bom, o Coppola lançou uma versão redux do Apocalipse, mas isso foi uma besteirinha perto das pelo menos 5 versões diferentes que Blade Runner já teve. Outra coisa irritante é o George Lucas ficar alterando o Star Wars e o Spielberg ficar tirando arminha e trocando por walkie-talkies no ET, mas isso são outros quinhentos.
Só para constar, uma versão para os cinemas americanos, uma para os cinemas mundiais, uma para a TV, uma versão autorizada do diretor e agora essa “Final Cut”.
Aluguei e assisti essa última, e sério, é um filmaço, mas muito mais óbvio do que o original. A experiência continua sendo muito legal, aquele visual dark inspirado no quadro “Nighthawks” do Hopper e na estória em quadrinhos “The long Tomorrow” de Moebius/O’Bannon (colei da wiki) e o visual brega retrô dos figurinos, carros e moveis.
Quando assisti a este filme no cinema, fiquei muito mais com uma sensação geral do que com um entendimento linear da estória. E esta sensacão era inquietante. O futuro não seria limpinho? Cheirosinho? Cheio de naves e lasers? Aquele futuro, brilhantemente filmado por Scott, acendeu, ou melhor apagou uma luz em minha cabeça. Guarda-chuvas, Yakisobas e dubiedade entravam definitivamente no repertório do futuro, William Gibson que o diga.

Um belo dia em uma Siciliano (no tempo em que a Siciliano era uma puta livraria e não essa loja americana de livro que é hoje) eu achei o livrinho “Blade Runner – Perigo iminente” da coleção de bolso de ficção científica da Europa-América. Esta coleção, portuguesa, salvou os leitores de sci-fi brasileiros de morrer a míngua durante os anos 80. E tirando o papel vagabundo e o português de portugal ( que troca tela por ecrã, nave por foguetão e por ai vai…) eram (e são) ótimos livrinhos.





Li, e reli. Através daquele livrinho eu havia descoberto o meu autor de ficção científica favorito. Não acreditei que aquele livrinho pudesse ser tão mais complexo e cheio de sutilezas do que o complexo e cheio de sutilezas, filme do Ridley Scott. Fui atrás e descobri que o Philip K. Dick era um prolífico escritor de ficção e sua estórias tinham sempre aquele que de diferença. As coisas nunca eram exatamente o que pareciam. Um livro inteiro, uma realidade sonhada pela viagem induzida por uma droga na cabeça de um dos personagens. Outro, uma cidade inteira construida ao redor de uma pessoa, sem que esta saiba que a realidade não é aquilo. Quando eu vi “O show de Trumman” no cinema fiquei até o final esperando o crédito para o livro chamado “Time out of Joint” de Dick, mas este nunca veio. A família do autor processou e não sei do resultado.
Continuando, o livro de Dick que se chama na verdade “Do androids dream of eletric sheep?” que traduzindo ficaria algo como: Será que os andróides sonham com ovelhas elétricas?, aborda as questões colocadas no filme (pós guerra poluído, migração para os planetas exteriores) e algumas outras mais. Vale muito a pena a leitura. Foi publicado no Brasil primeiro na coleção “Mundos da Ficção Científica” da Francisco Alves a reboque do lançamento do filme em 82 e agora sai de novo com outra tradução pela Rocco, mais uma vez a reboque do re-re-lançamento do filme.
Philip Dick, foi descoberto recentemente,a partir de “Blade Runner”, por Hollywood, e já tivemos vários filmes realizados a partir de seus livros. O ótimo “Total Recall” com o governador da California, O bom “Minority Report”, o não tão bom “O Pagamento” e o excelente “A Scanner Darkly” para citar alguns.
O bom desse boom é que vários livros do autor foram lançados no Brasil, saciando os (poucos) fãs, eu incluído. Li vários direto do inglês garimpados em sebos, comprei alguns pela Amazon, mas ainda existem vários outros a serem traduzidos e publicados aqui no Brasil. Existem boatos sobre a filmagem de “Ubik” e se não me engano antes de “Blade Runner um outro filme foi feito em cima de um texto de Dick, “The Second Variety”, mas não tenho certeza.