Filme aonde Michael Caine divide a cena com 3 minis Cooper…
Agora, que o filme estreou, todos os bastiões da moralidade, que ficam repetindo em coro cada linha do discurso direitista simplório (como qualquer discurso direitista) que o filme proclama, não mais precisarão admitir que assistiram umas das criminosas cópias piratas que invadiram a cidade de uns tempos prá cá.
Agora podem dizer de peito estufado que querem saco plástico para os maconheiros burgueses alienados da zona sul, que sustentam o crime organizado para fumar seu baseado.
Estas mesmas pessoas, que assistiram as suas cópias do filme, compradas por R$ 5,00 em qualquer esquina da cidade, agora podem exteriorizar tranqüilamente seus sentimentos fascistas, sem medo de que seu herói, Capitão Nascimento, solução de todos os males da sociedade, descubra que elas são tão criminosas quanto os riquinhos da zona sul que tanto odeiam, e lhes enfie um cabo de vassoura cu a dentro, como ele costuma fazer com quem não anda na linha.
Para quem lê esse texto, deve ficar a impressão de que eu não gostei do filme, mas ao contrário, apesar de o discurso do filme ter me incomodado um pouco, eu adorei Tropa de Elite.
Um filme violento e crú em que é impossível ao espectador ficar indiferente.
Mas está bem claro na minha cabeça que o filme mostra uma guerra sob o ponto de vista de um dos lados, e que a realidade não é tão simples como a que é vista pelos olhos do Capitão Nascimento, Neto e Matias.
Bom, pra começar, o filme é imperdível.
Perturbador, angustiante, aterrorizante.
Faz Cães de Aluguel parecer Teletubbies.
Bom pra cacete!
A história, resumindo bastante é a seguinte: Wagner Moura é Nascimento, capitão do Bope, e quer se aposentar, mas para isso ele precisa arrumar um substituto.
Paralelamente, segue a história dos dois candidatos a substitutos, os aspirantes da PM, Neto (Caio Junqueira) e Matias (André Ramiro).
O filme mostra a absurda e absoluta falência da PM, afundada e imobilizada pela burocracia e pela corrupção.
Também ridiculariza o trabalho das ONGs dentro das favelas do Rio, que são mostradas como grupos de riquinhos maconheiros e traficantes que transam durante o trabalho e dão apoio ao crime organizado… e por fim, o filme endeusa o Bope.
O Bope é mostrado pelo filme como sendo um grupo seletíssimo de PMs incorruptíveis e durões, onde ex-PMs corruptos não conseguem de forma alguma passar pelo treinamento de admissão, que segundo é mostrado e falado no filme, é mais pesado e exige mais dos candidatos do que o do exercito de Israel.
Me incomodou no filme a forma como é tratada a questão dos usuários de drogas, que são simploriamente responsabilizados por alimentar o crime organizado, o que não deixa de ser verdade, mas só é assim por que o sistema faz com que seja.
Drogas sempre foram consumidas por todas as civilizações que habitaram, em qualquer época, cada pedaço do nosso planeta, e afirmar que o crime organizado existe por causa dos usuários destas drogas, que são arbitrariamente proibidas, é totalmente superficial.
O caso é que o filme mostra a visão do policial, e sob a sua ótica, a realidade é essa mesmo, de riquinhos que, para terem maconha em seus apartamentos na zona sul, patrocinam a entrada de crianças pobres no tráfico.
Imperdível.
Assistam hoje.