Mairus Webber

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2008
Os aviões da Japan Airlines (Jal)
Terça-feira, 11 de Novembro de 2008 - 14:26
Mairus Webber - 48 visitas

A Jal opera desde 1951, e desde então a plumagem de seus aviões vêm evoluindo de acordo com as tendências.
Se por um lado usam poucas cores, são pouco ousadas, quase caretas, por outro são limpas e elegantes, sempre se aproveitando com eficiência dos conceitos visuais vigentes… essa última parte pode ser boa ou má, dependendo do ponto de vista.

No início a empresa usou um Douglas DC-3, que só voôu por três dias e com as cores da Philippine Airlines, depois, cinco Martin 202, cujas pinturas também não tinham grandes identificadores da companhia japonesa.
Os primeiros aviões que podem ser considerados pintados nas cores da Jal, são os Douglas DC-4, DC-6 e DC-7 que voaram ao longo dos anos 50, e que já contavam com a primeira logo da empresa, além das listras pretas e vermelhas, que decoraram seus aviões até o final dos anos 80.

Na primeira pintura, como em todas as posteriores, a cor base do avião era o branco, e arranjos complexos com faixas pretas e vermelhas cortavam a fuselagem na altura das janelas, acima delas o nome da companhia e à frente a logo da empresa.
No leme a bandeira do Japão, destacada por cinco faixas pretas horizontais, e acima delas, o nome do avião, informação que era comum receber destaque naquela época, as vezes até mais do que a própria companhia aérea.

Com o passar do tempo novos aviões foram incorporados à frota e a identidade visual foi evoluindo de forma sutil.
Os novos DC-8, Convair 880, Boeing 727, já voavam com uma pintura ligeiramente modificada, estreando a logo do pelicano, que permaneceu até 2002 nos lemes dos aviões, só que neste primeiro momento elas ocorriam mais timidamente, na parte posterior da fuselagem, sobre as faixas horizontais, logo a frente da linha das janelas.

A próxima alteração ocorreria nos anos 60, quando a companhia já operava com Boeing 747, 767 e McDonnel Douglas DC-10, com uma substancial modernização e simplificação da pintura dos aviões, que ganharam uma faixa rubro-negra (não resisti) ao longo de toda a fuselagem, na linha das janelas, enquanto que a cauda ficou toda branca com a logo vermelha do pelicano, em uma solução bela e de acordo com o que estava sendo feito à época.

Em 1989 as faixas na linha das janelas estavam saindo de moda e a tendência era de os aviões serem todos pintados de branco, como os da Lufthansa, PanAm, TransBrasil, Vasp, Air France… e a Jal lançou a sua nova pintura seguindo esta linha, com uma solução que pode ser chamada de Mondrianesca, com a fuselagem toda branca e uma faixa grossa cinza clara que vinha do nariz, passava por baixo das janelas até encontrar a logo “JAL” em uma fonte serifada, de “A” sem tracinho (que mania), ainda na parte da frente do avião, e onde a faixa cinza terminava em um quadrado vermelho, remetendo talvez à bandeira do Japão…

…imagino que eles devem ter tentado primeiro com um círculo em vez de um quadrado, mas com certeza os ângulos retos deram um ar mais elegante, enquanto a cauda permanecia inalterada, com a mesma logo do pelicano, o que no meu ver causava uma certa quebra entre as linguagens da cauda e da fuselagem… senti falta de algum elemento na cauda do avião que conversasse com a faixa cinza e vermelha da proa… parece que seguraram o avião pelo leme e o mergulharam na tinta, deixando a fuselagem nova e o leme com a tinta velha. Nessa época a companhia já operava também com Boeing 737 e 777.

E por fim, a última reforma visual da Jal, lindíssima, e mais uma vez seguindo as tendências globais.
Jogaram tudo fora, abandonaram a logo do pelicano e a fonte serifada.
O avião continua todo branco, e as cores vermelha e cinza foram mantidas, compondo a nova logo da companhia, que é o “JAL” escrito em fonte grotesca =) , com o “A” sem o tracinho =/ , cortado por um… parênteses vermelho e cinza =( … incrível como esses caras conseguem adotar sempre a solução mais batida e sempre obterem um resultado bonito… resultado que se deve também à solução que deram para o leme, com uma bolona vermelha sangrada, que é o disco solar da bandeira do Japão, very beautiful.

O caminho que percorreu a identidade visual da companhia, desde os anos 50 até os dias de hoje, acompanhou tão de perto os modismos do design que sua evolução serve de referência do que esteve em voga para cada época, e isso tem um lado bom, que é o emprego feliz e bem sucedido das tendências formais vigentes, e outro lado não tão bom, que é o da limitação da criatividade pelas barreiras impostas pelos modismos de cada época.
De qualquer forma eu acho os aviões da Japan Airlines lindíssimos, em todas as épocas.

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2008
A fabulosa Kombi
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008 - 11:40
Mairus Webber - 173 visitas

Esta imagem dos anos 50, tenta disfarçar as formas que a renderam o apelido de “Pão de Forma” por todo o mundo

A Kombi é Bauhaus.
Uma magnífica aplicação da sua máxima mais famosa “a forma segue a função”.
Sem dúvida, um dos carros mais belos que eu já vi.
O nome do utilitário deriva do alemão Kombinationsfahrzeug, que significa “Carro Combinado”, no sentido de que pode ser facilmente convertido de cargueiro para transportador de passageiros.
O utilitário, que roda desde 1950, sempre teve aqui no Brasil o modelo mais atrasado.
Apos a reestilização da Kombi brasileira de 1997, quando o carro enfim ganhou janelas traseiras maiores e portas corrediças, a nossa Kombi passou a ser basicamente o mesmo carro que rodou na Europa entre os anos de 1972 e 1979, e foi a última no mundo a abandonar o velho motor boxer da VolksWagen, que a equipou até 2005, quando enfim recebeu motor refrigerado a água.
Se estiver interessado em obter informações sobre a Kombi, tem várias interessantes na Wikipedia, e uma história detalhada, com belas imagens de fotos e anúncios da época neste link.
Aqui você pode fazer o download da Kombi planificada para imprimir, recortar e montar a sua própria frota.
E para aqueles que ainda tem alguma dúvida sobre a eficiência do longevo utilitário, prestem atenção em quais são os carros que mais produzem fumaça preta pelas ruas da cidade e vão reparar que são modernas vans Mercedes Benz, Peugeot, Renault e Citroën.
Enquanto essas vans novas, modernas, confortáveis e silenciosas já estão por aí batendo pino, as velhas kombis barulhentas e apertadas, seguem agüentando o tranco.
Abaixo algumas brochures antigas que eu encontrei entre as minhas iguarias.

Update: Uma informação importante que ficou faltando é que aqui no Brasil nós chamamos todas as Kombis de “Kombis”, mas na verdade, na Europa, “Kombi” era apenas o modelo que podia ser convertido de carga para passageiros, o que pode ser comprovado com as ilustrações abaixo, onde as duas primeiras, feitas exclusivamente para o transporte de passageiros, não são “Kombis”, mas “Volkswagen Station Wagons”.







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2008
O LCD vermelho do painel do Gol e do Fox
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008 - 10:31
Mairus Webber - 156 visitas

A cor vermelha deveria ser guardada para alertar o motorista de que algo vai errado.

Uma gracinha, bonitinho pra caramba, completo, organizado, realmente uma fofura, só vi uma falha, que como trabalho com usabilidade, achei chatinha, que é a cor vermelha do LCD do relógio, odômetro e marcador de temperatura.
Para mim, o vermelho tem que ser economizado para indicar que alguma coisa está errada.
Vermelho é cor de erro.
Quando acende uma luz vermelha no painel, é motivo para o motorista se preocupar, por isso que a cor escolhida é o vermelho, que é a cor que mais chama a atenção, nos sinais de trânsito é para parar, assim como também nas luzes de freio… nos painéis de automóveis, o vermelho indica que o freio-de-mão está puxado, que o carro está fervendo, que está faltando óleo, em suma, informações importantes, que indicam que algo está acontecendo que pode impactar no funcionamento do veículo, e mesmo na segurança dos passageiros.
Quando se usa o vermelho para pintar o LCD do relógio, como no caso dos painéis do Gol e Fox, da Volks, desperdiça-se a cor de alerta com uma informação de importância muito menos relevante.
Desta forma, o vermelho ficará sempre presente na visão periférica do motorista, fazendo com que quando uma luz vermelha de alerta se acenda no painel, ela não tenha o mesmo destaque, e consequentemente, a mesma eficiência.
Isso me incomodou na hora exata que eu sentei no banco do motorista.
No meu ver isso foi uma comidinha de mosca dos designers da Volkswagen.

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2008
Nova embalagem do Fermento Royal: e lá se vai mais um classico
Terça-feira, 14 de Outubro de 2008 - 15:06
Mairus Webber - 256 visitas


A embalagem velha era perfeita, fechadinha, clássica, bonita… mas a empresa tem que fazer a manutenção do produto para estender ao máximo a sua maturidade, e foi na onda da feliz modificação da embalagem do Leite Moça, lançou uma nova embalagem plástica com “cintura” e tampa de rosca em substituição das tradicionais e semi-extintas embalagens de papel.
Já se foi a do Polvilho Antisseptico Granado, que inclusive ficou outra merda, a caixinha de madeira do Catupiry também foi substituida por outra de plástico.
Tudo bem que as embalagens se modernizem, até para facilitar a vida do consumidor, oferecendo maiores vantagens, além de outra coisa que anda muito na moda, que é a preocupação com a ecologia… ecologia? bem, acho que a parte da ecologia deve ter ficado para outro dia, pois imagino que seja muito menos agressiva ao meio ambiente uma embalagem de papel e ferro do que uma de plástico… mas e o design?
O velho visual “Ummagumma” da embalagem do Royal sofreu uma releitura, só que, foi mal, tudo piorou.
A marca “Royal” ganhou um degradê inutil, que dá a impressão de que a tinta está borrada, a janelinha redonda com o desenho da latinha em traço, que era uma gracinha, foi substituida por uma janela nova, meio com cara de web 2.0, com uma foto ordinária, e detalhe, a foto é da latinha antiga, não da nova embalagem neo-nouveau… além do que é uma bosta!
Não dá para entender!
A tipografia old-fashion do texto “Fermento em Pó Quimico” era muito bem aplicada, chamava atenção e conversava com a da marca da Royal, envolvendo harmonicamente a janelinha “ummagumma” redonda da latinha traço, que também tinha a mesma linguagem… o abuso de degradês, sombreados… PORRA!!!
Ou sou que estou ficando velho ou alguém por favor me explique para onde está indo o design de embalagens desse país?
O que foi aquilo?
Estagiário?
O cafezinho virou na prancheta?
Alguém me explique por favor.

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2008
“Abra Aqui” (…) onde mesmo?
Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008 - 12:02
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Segundo as leis do Marketing, para o seu produto se descomoditizar e assim fidelizar seu público consumidor, deve procurar oferecer um diferencial, caracterizando, segundo Philip Kotler, o “produto ampliado”.
Quando este diferencial é copiado pelos concorrentes, deixa de ser um diferencial e seu produto passa a virar commodities novamente, voltando à situação de “produto esperado”.
Foi o que fez o leite de caixinha “Da Matta”, que adotou a “tampinha-plástica-que-fecha-fácil”, não sei se inovando para oferecer o tal diferencial, ou se copiando a concorrência para não ficar para trás.
Muito bem, adequou as suas embalagens à novidade, para além de agregar o valor de qualidade (como necessário), agregar também o valor de informação (com o necessário), através da disponibilização de um storyboard com as instruções de uso para a inovadora tampinha.
Só que tem outra lei do Marketing que diz que quando o produto atinge a maturidade, pode ter diminuido o seu custo de produção, através da eliminação de atributos que não sejam percebidos pelo consumidor como geradores de valor, aumentando assim a margem de contribuição, e consequentemente o lucro.
Foi o que fez o leite “Da Matta”.
Após, possívelmente através de pesquisa de opinião, chegar à conclusão de que o seu atributo diferenciador não era percebido pelo consumidor como um “realizador de sonhos”, passou a baratear a produção das embalagens de leite, eliminando o tal “fecho-plástico-que-fecha-fácil”, só que sem se preocupar em eliminar as instruções de uso do referido atributo da embalagem do produto, o que acabou gerando o assinalado hiato na comunicação.
Talvez os referidos fornecedores de leite em embalagens tetra-pak estejam ainda avaliando se as vendas vão se manter estáveis com a retirada do fecho fácil, para depois contratar um pobre coitado de um artista afeminado morto de fome que usa roupas bobas, também conhecido como designer, para refazer a embalagem do produto… e assim caminha a humanidade.

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Ford LTD Landau 1973: quanto requinte…
Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008 - 13:56
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Rapaz, como eu me amarro nessas minhas revistas Quatro Rodas antigas e mofadas… que carros… vejam esse anúncio de Landau de página dupla…

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Airliners since 1946
Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008 - 18:06
Mairus Webber - 73 visitas

Hans outro dia apareceu com esse livro.
“The Pocket Encyclopedia of World Aircraft in Colour - Airliners Since 1946″, de Kenneth Munson, e ilustrações do competente John W. Wood, edição de 1975 da London Blanford Press.
Comprou em um sebo em Copacabana.
Por uma injustiça imperdoável da infinitude e da aleatoriedade que regem as coisas este livro foi parar nas mãos do Hans, um reles rookie na taxonomia aeronáutica, que não sabe sequer diferenciar um DC-9 de um Fokker F-28, em vez de seguir o curso óbvio das coisas e tornar-se minha propriedade… paciência.
Peguei o livro emprestado, que tem belíssimas ilustrações de inumeros aviões comerciais dos velhos tempos vestidos de companhias aereas da epoca, e de uniformes antigos de companhias que ainda existem, escaneei-o página por página, e agora publico aqui no Presunto, o maior blog do universo, todos os aviões do livro.
Uma verdadeira jóia.
Obrigado, Hans, já pode pegar seu livro de volta.
Agora, o que inrteressa: os aviõezinhos…
E tem gente que ainda diz por aí que o Presunto faliu…















































































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Mairus Webber Comunicação Visual 1990-2008