Cristiano me enviou este link por e-mail, e em vez de encaminhar para todo mundo preferi botar no blog logo de uma vez.
Bom pra caramba!
A primeira impressão que se tem quando se vê uma peça de design é muito importante, adaptando a expressão usada pelo meu professor de varejo Roberto Kanter, “não existe uma segunda chance para se causar uma primeira impressão”, e quando eu vi pela primeira vez os aviões da My Travel, simpatizei muito com elas, não sei se pela originalidade e ousadia de se propor uma solução diferente, ou se simplesmente por que eu gosto de ovais.
De qualquer forma a minha primeira impressão foi boa.
Achei a plumagem moderna sem ser clichê, achei forte mas não excessiva… na verdade eu achei linda.
Daí fui tentar entender a logo, e foi quando comecei a desconfiar que estava sendo enganado… a loguinho é meio safadinha, com aquela fonte angulosa aplicada na oval, sem nenhuma conversa entre as duas, e aquele “y” com aquela bolinha vermelha, será que é uma pessoa de braços abertos? Ou quem sabe o alienigena do Contatos Imediatos do Terceiro Grau…
Daí, quando eu impliquei com a logo, passei a desconfiar mais da plumagem, aplicando os ensinamentos do Eppinghaus, meu professor de Meios e Métodos de Representação na Esdi, que dizia que mesmo que o seu trabalho esteja lindo e maravilhoso, se ele tiver uma imperfeição, será ela a primeira coisa a ser notada, e todo o trabalho estará comprometido.
Eu ainda gosto dos aviões da My Travel, mas não tanto quanto eu gostei da primeira vez que os vi.
Esta foi minha última contribuição para meu prédio.
Cansei de as minhas pizzas voltarem.
Fiquei na dúvida se era “isto” ou “isso”… eu nunca sei essa bosta.
Mas a referência ao Magritte ficou chique pra caramba!

– Vai dizer que aquele cara ia fazer melhor do que isso? Sente o conceito! Um pote de capsulas, que são o centro do seu negócio, onde o “D”, da palavra “drogaria”, gostou tanto do efeito da capsula que já está na sua barriguinha, que está tentando entrar no potinho para pegar mais capsulas, nem dando bola para as duas que já estão jogadas na mesa…
– Nossa, mas que idéia genial… mas me diga uma coisa, precisa mesmo daquele “dois pontos” depois do “Rede de”? Não seria mais simples apenas “Rede de Drogarias”, sem os dois pontos depois do “de”?
– Pare de pensar pequeno, e as expansões do negócio? Você quer ter que trocar de logo quando seu negócio englobar também uma rede de mototaxis? Os dois pontos já estão lá para isso. Daí o texto fica “Rede de: Drogarias e Mototaxis”, daí com uma breve adaptação na logo, com a aplicação de um farolzinho no meio do “T” de “Tambaú”, o “T” vira uma motoquinha, ou você acha que eu botei aquele “T” ali a toa?
– Meu sobrinho é um gêniozinho mesmo… imagina quanto terminar a faculdade de medicina? Vai fazer trabalhos ainda melhores…


Foi no Technorati que eu vi pela primeira vez essa aplicação de helvetica black italic em blocos de texto… a fonte é tão pequena, e fica tão descaracterizada por causa da pixelização, que nem dá para saber se é Helvetica ou Arial… na verdade eu acho que deve ser a segunda no caso de o computador do navegante não possuir a primeira… de qualquer forma o resultado é muito ruim, com uma deformação notável de certos caracteres… mesmo que a fonte que eu esteja vendo seja a substituta, o que eu duvido, pois tenho as duas em meu sistema e acho difícil que a Arial apareça à frente na lista do que a Helvetica, não é desculpa, pois a esmagadora maioria dos navegadores operam em cima de Windows, e poucos Windows tem Helvetica, e é lógico que isso deve ser levado em consideração na hora de se projetar um site, além do que, todas as fontes substitutas tem que funcionar direito, se não é melhor nem substituirem ninguém.
Uma coisa que pode estar acontecendo é o que eu consideraria um erro primário de webdesign, que é o de usar uma fonte para texto corrido que não seja projetada para os píxels… ironicamente nesse caso, e imagino que em nenhum outro, a Arial funcionaria melhor do que a Helvetica… anyway eu considero a aplicação de bold-italic uma solução bastante equivocada, basta dar uma olhada nos textos, rodapés, e mesmo títulos e menus… a intenção é boa, de se fugir das batidas fontes-píxel Arial, Times, Verdana, Trebuchet, e tal, mas não dá.
Mesmo para título, onde a fonte é menos descaracterizada pela maior quantidade de píxels na sua matriz, o resultado também não fica legal, pois o anti-alias do browser não se compara ao anti-alias do Photoshop.
Então, até que me provem o contrário, texto em HTML deve usar tipografia projetada para píxels e fim de papo, e texto corrido não é em bold ou italic, pois esses recursos devem ser reservados para destaques no texto e palavras em outras línguas, respectivamente.
Assim diz a Convenção de Genebra.
Podem atirar pedras.
Além do Technorati já reparei que outros sites também apresentavam seus textos da mesma forma, e ontem, para a minha surpresa, constatei que o novo Brainstorm #9, do simpático Carlos Merigo, que aliás recebeu nova e belíssima logo em Avant Garde, também conta, em sua nova identidade visual, com a mesma grotesca black italic… a moda pegou mesmo.
Moda é isso aí, as boas ficam e as ruins passam.
No futuro, quando os monitores tiverem resoluções siderúrgicas e as bandas forem muito mais largas do que são hoje, será este post que não fará mais o menor sentido, pois toda essa história de fonte para píxel será parte do passado… só que como ainda estamos no presente, e como os “es” em caixa baixa estão sendo impiedosamente transformados em bolas pretas de píxels disformes, eu não posso deixar de registrar aqui o meu protesto.
Parece que desta vez a minha idéia não foi tão atrasada assim, pois o Super Trunfo de tipografias, que se chama Type Trumps, foi feito só em 2008, pela Face 37.
Um amigo meu que estava em Londres à época do meu post sobre Helvetica, Futura e BigBob, leu e tratou de ir na própria loja dos caras comprar a iguaria e me presentear, me tornando um feliz proprietario do segmentado brinquedo.
Senti falta da minha fonte favorita no baralho, a Futura, que poderia facilmente entrar no lugar de Arial e Comic Sans, mas entendo que a presença delas de deva a melhoria da jogabilidade, fazendo o mesmo papel do Toyota Celica ST no de GT Gtan Turismo, ou do Submarino alemão U-29 no de navios de guerra… anyway, um bibelô.
E Felipe Vaz, obrigado pelo link nos comentários do post, pois foi graças a ele que o Cristiano chegou até a loja que vende o baralho.
E em breve, o Super Trunfo de tipografias, versão Presunto, em um computador perto de você.

Eu já polarizo a pergunta para deixar claro que este post não é direcionado para usuários de Comic Sans, e se você acha um absurdo eu nem cogitar levar uma Garamond, uma Bodoni, uma Times, uma Century, uma Frutiger, uma Din (lindíssima), uma Optima… espera aí, Optima não, Optima é ridícula, parece que esqueceu a serifa em casa… Optima é fonte de fonte de engenheiro que fez o curso “Aprenda Design Dormindo”, e a adotou por considera-la a fonte mais moderna, elegante e chique do mundo… e que fica linda com Comic Sans… mas tirando a Optima, eu posso dizer que algumas dessas fontes são mesmo cabeças-de-chave e merecem todo o nosso respeito, só que tocando a real, chegam no máximo até a semi-final, quando então cruzarão com as barbadas Helvetica e Futura.
Se a tabela for bem feita, essas duas não podem se encontrar antes da grande finalíssima.

(parênteses: Acabei de ter uma idéia maravilhosa que em breve populará as páginas do Presunto, o maior blog do universo, um incrível super-trunfo de tipografias. Foi mal, mas falei primeiro, a idéia foi minha, se você encontrar algo do tipo no Internet é por que algum leitor inescrupuloso leu aqui e copiou.)
De volta à ilha deserta, quanto às outras candidatas que foram excluídas do título desse post, eu posso dizer que muitas vezes tento fugir das duas finalistas, mas as chances de eu usar uma fonte que não seja Futura ou Helvetica é eu nem testa-las, nem passar perto, pois se eu só por acaso resolver ver como fica com uma delas, a chance de eu mudar de fonte vai ser muito grande.

Já aconteceu várias vezes de eu estar preparando uma logo que está ficando linda, usando Humanist ou Franklin, e eu ir lá e testar com Futura só por curiosidade, e pronto, batata.
Fica a Futura.
Futura é uma obra de arte.
Sua caixa alta bold condensed é de uma beleza que só encontra semelhante plasticidade formal no corpo feminino ou na fuselagem de um Constellation.
Ao pensar na questão proposta no título do post, a primeira fonte que me vem na cabeça para a realização de meus trabalhos de design pós naufrágio é mesmo a Futura, por sua versão condensed, a minha preferida, a fonte mais linda do universo.

Só que do outro lado do ringue tem outra monstra, a fonte mais famosa do mundo, mais legível, mais neutra, mais… impactante, versátil… a fabulosa, inconfundível, inigualável, a eterna, Helvetica.
A Helvetica é impecável em todas as suas versões, normal, bold, italic, black, light, extended, condensed, etc, etc e etc.
Só o “a” caixa baixa da Helvetica já daria uma exposição de um andar inteiro do Mam.
As Helveticas e Futuras Condensed e bold-condensed, são as fontes mais lindas de qualquer catálogo Letraset… eu diria que a Helvetica é uma fonte mais dura, mais séria, enquanto que a futura permite aplicações mais alegres, o que a torna uma fonte talvez mais versátil, mas por outro lado, na minha humilde opinião, logicamente, nenhuma versão de Futura é tão linda quanto a condensed.
Poucas vezes eu usei a Futura Normal, enquanto que a Helvetica oferece um desenho impecavelmente agradável em toda a sua extensão de linha.
Esta comparação entre as duas fontes se assemelha à comparação entre os sanduíches do Bob’s e do McDonald’s, onde apesar de o último ter a vantagem de oferecer um melhor mix, com Big Mac, McFish, Cheddar McMelt entre outros, se o trash-fooder quiser comer o melhor sanduíche, ele vai ao Bob’s, pede um Big Bob nadando no molho e na cebola e fim de papo.
Da mesma forma, se o designer quiser a fonte mais linda do universo, ele leva Futura Condensed, mas se quiser a família de fontes mais completa, ele leva Helvética.
Com base nesse pensamento eu então posso afirmar hoje que se eu tiver que escolher uma família tipográfica para uma ilha deserta, para usa-la e só a ela até o fim dos meus dias de comedor de mariscos, eu levo Helvética, pois todas as suas dezenas de versões me oferecem um pacote de tipografias em que dificilmente uma delas não irá resolver o meu problema… engraçado que entre os sanduíches eu sem pestanejar levava o Big Bob… vai entender o cerebelo humano.