
Daqui a alguns instantes ocorrerá a primeira decisão de uma Taça Libertadores da America no Maracanã, entre Fluminense e LDU.
Só que o que eu vi hoje na cidade do Rio de Janeiro não foi uma união entre as quatro torcidas a favor do time local, ou mesmo uma união das outras torcidas rivais para “secar” o Fluminense e torcer pelo seu fracasso na tentativa de conquistar o primeiro troféu continental da sua história.
O que eu vi hoje na cidade, foram as três das quatro torcidas dos principais times do Rio de Janeiro, Fluminense, Botafogo e Vasco, se unindo contra um inimigo comum, o Flamengo.
Parece incrível, mas hoje eu cansei de ver os tricolores direcionando as suas provocações para um time que não tem nada a ver com o embate desta noite, mas que por tradição, se empenha em, abertamente, francamente, torcer contra o sucesso de qualquer outra agremiação carioca em qualquer competição que seja, que é o meu querido e amado Clube de Regatas do Flamengo.
Todos os times do Rio sempre se unem para torcer contra o Flamengo, graças, segundo citam, a arrogância da sua torcida, que não poupa esforços em achincalhar, massacrar, execrar e humilhar as outras torcidas do Rio de Janeiro, apoiada na enorme superioridade numérica que ela representa.
Não se sabe quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, mas a resultante é “Todos contra o Flamengo e o Flamengo contra todos”.
Mas o que causa essa inveja das outras torcidas do Rio em relação a do Flamengo não é só a sua quantidade de torcedores monstruosamente superior, que chega a receber a classificação de “Nação Rubro-Negra” por ser maior em população do que qualquer país da Europa, e maior do que a grande maioria dos países do mundo.
O que causa esse sentimento de repulsa é a devoção que esta torcida tem pelo seu time do coração, que o confere privilégios únicos.
O Flamengo é o único time a não ter camisa.
O Flamengo tem um manto sagrado.
Se o leitor requisitar a qualquer vendedor de qualquer loja de artigos esportivos um “manto sagrado”, o vendedor pode até fingir que não sabe do que se trata, no caso de ele não ser torcedor do Flamengo, mas na verdade ele sabe exatamente o significado do termo.
“Manto Sagrado”, só quem tem é o Flamengo, os outros times tem uniforme.
Outro privilégio exclusivo da torcida do Flamengo é um cumprimento, uma reverência que é só dele, “Saudações”.
Experimente cumprimentar alguém usando a expressão “Saudações”.
Se o cumprimentado responder “Saudações”, é por que é Flamengo, se responder “Saudações tricolores”, ou “saudações é o cacete”, é por que torce para qualquer outro time.
“Saudações” é uma abreviação para “Saudações Rubro-Negras”, mas não é necessário o uso da expressão completa, pois apenas “Saudações” já caracteriza um cumprimento tipicamente flamenguista.
O Flamengo não é apenas um time, mas é entre isso e uma religião.
Sei o que digo, pois sou flamenguista fanático, e das poucas coisas que me fazem brotar lágrimas aos olhos é meu time do coração.
O Flamengo é uma entidade.
E para os que acham que estou exagerando, eu peço que pretem atenção hoje no jogo decisivo da Libertadores, pois se Fluminense for campeão, a torcida vai dedicar grande parte da sua comemoração a provocar a “mulambada”, os “favelados” torcedores do rubro-negro da Gávea, o mais querido do Brasil.
Não sei se Tostines vende mais por que está sempre fresquinho, ou se é fresquinho por que vende mais, mas cumpro meu papel de torcedor apaixonado e fanático do mais querido do Brasil, o Flamengo.
Seco o timinho.
Com licença que o segundo tempo está começando e tenho que me concentrar pois o LDU precisa da minha energia positiva.
Saudações Rubro-Negras.

…é o que deveria estar perguntando o motorista do ônibus que levava o time do Flamengo do Maracanã ontem depois da festa de despedida do Joel Santana.
Acho que nunca nessas minhas 37 temporadas eu vi o Flamengo, ou mesmo qualquer time que fosse, ser humilhado, ridicularizado, massacrado e escurraçado de um campeonato como foi ontem o meu querido Flamengo.
E antes que eu me esqueça, parabéns ao time do America, pois nunca se entregaram, e entraram em campo ontem dispostos a vender caro a classificação para as quartas de final da libertadores da America, já que para se classificar teriam que vencer o Flamengo por três gols de diferença em pleno Maracanã, o que era impossível.
Tão impossível que depois da incrível façanha de marcar dois gols, durante o segundo tempo, o America continuava todo recuado, como se estivesse satisfeito com o placar e com a conseqüente eliminação, enquanto que o Flamengo, este mesmo estando totalmente perdido em campo continuava pressionando, afinal ninguém queria que a despedida de seu querido Papai Joel fosse com uma classificaçãozinha muquirana com o time perdendo de 2×0… pelo menos isso eles conseguiram evitar.
Enquanto que o time do Flamengo comia burritos com guaca mole e mescal no vestiário antes da partida, preocupado em qual seria o time que iria enfrentar nas quartas, se Cúcuta ou Santos, o America se concentrava, assistindo à festa rubro-negra antecipada, com o técnico dos Globe Trotters sendo ovacionado no centro do gramado.
O Flamengo foi convidado para uma festa ontem no Maracanã, onde a torcida cantaria suas novas canções e Joel receberia plaquinhas, e como atração circense final, o time chutaria os cachorros mortos do America do México.
Bem feito.
Que sirva de lição.
Mas não tem nada.
O Hexa vem aí.
Parabéns, mengão querido, bicampeão estadual 2007-08, desta vez de uma forma menos traumatizante para os bofoguenses, que ontem já subiram para o gramado semi-derrotados, quase satisfeitos, pois o caixão começou a ser fechado no 1×0 de domingo passado, e que a essa altura já tinham a consciência de que o Flamengo é mesmo o melhor do Rio.
É sempre gostoso ganhar um campeonato estadual por que os adversários estão por aí pelas ruas, pelos escritórios, e são obrigados a conviver com o mar de camisas rubro-negras que invade a cidade, tornando-se figuras extremamente vulneráveis às chacotas e achincalhos dos campeões, enquanto que vencer um brasileiro contra um Internacional ou um mundial contra um Liverpool não proporciona um dia seguinte tão divertido devido a distância que nos separa dos torcedores vice-campeões.
Mas agora é hora de falar sério.
O Flamengo tem a missão e o dever de resgatar a imagem do futebol carioca fazendo bonito no campeonato brasileiro.
A ida do Joel é uma tristeza, mas o Caio Jr. (fechou com ele, né?) vai pegar o time arrumadinho e pronto para nos dar ainda muitas alegrias nesse ano de 2008.
Agora o bicho vai começar a pegar de verdade.
Obrigado, Joel, obrigado mengão, bola pra frente.
Rumo ao Hexa e Yokohama.

Nosso ilustre leitor Cristiano Dias enviou-nos um e-mail sugerindo levantar uma questão neste humilde porém liberal meio de comunicação.
A pauta sugerida refere-se a se é justo ou não o nosso querido rubro-negro da Gávea ter que ir jogar uma partida em latitude bem acima do Equador, quase no Trópico de Câncer… enfim, lá onde o redemoinho do ralo da pia gira no sentido horário.
Eu compartinho do questionamento do valoroso leitor no que tange ao fato de tratar-se de um time da Concacaf participando de um campeonato da Conmebol, e sobretudo se formos considerar o nível técnico dos elencos desta última, bem superior ao da primeira, ou seja, o que um time que está em último lugar no Campeonato Mexicano ainda tem que se meter a jogar um campeonato que envolve times bem mais fortes que os da sua própria confederação?
Mas por outro lado, todos sabiam que iriam poder cruzar (no bom sentido) com os mexicanos ao longo do campeonato, e começar a reclamar agora que o campeonato está no meio, e coincidentemente às vesperas da partida me soa a coisa de botafoguense.
Vai ser muito chato cansar o elenco rubro-negro jogando uma partida lá “na casa do cacete” enquanto o vice atual descansa em meio a banhos de sais e sessões de hidromassagem, mas tudo bem… afinal a prioridade é a libertadores e o bi-mundial, depois não dá para o Flamengo ficar se preocupando com time pequeno.
Campeonato estadual é obrigação.
Não tem nem o que comemorar.

Estou lendo um livro do Nelson Rodrigues, que me foi presenteado pelo meu querido irmão, Dude Lyra, vulgo Kaká de Ressaca, e por sua querida mãe, Celina Lyra, que são crônicas esportivas que o autor escrevia para a Manchete Esportiva na metade final dos anos 50, “O Berro Impresso das Manchetes”.
Recomendo.
Na parte do livro que eu estou lendo o Brasil ainda chora pela derrota na copa da Suíça em 1954, além é claro, da catastrófica final da copa de 1950, e endeusa a Hungria de Puskas e a Tchecoslovaquia.
É interessante notar como naquela época havia uma sensação de “quando seremos campeões do mundo?”, “não somos os melhores”… chegei a ler declarações de membros da CBD dizendo que o Brasil iria para a Copa de 1958 já sabendo que não teria nenhuma chance de levar o caneco para casa.
Esse pensamento mudou muito de lá para cá, basta lembrar do nosso “dream team”, que chegou à Alemanha em 2006 com a taça na mão, mais preocupado em dar show e bater recordes individuais do que apenas ganhar a copa, aqueles mercenários arrogantes saltos-altos desgraçados de merda.
Mas apesar de o pensamento com relação a seleção ter mudado muito desde aquele tempo para cá, o livro fala de outros conceitos que permanecem intocados mesmo depois de meio século.
Tricolor confesso, Nelson Rodrigues dizia que naquela época, a camisa rubro-negra já tinha esta mística de jogar sozinha, e também que a torcida do Botafogo já tinha a característica de alimentar-se do pessimismo e do sofrimento.
Domingo que vem começa a decisão do Campeonato Estadual 2008 entre Flamengo e Botafogo, onde o Botafogo vem motivado de uma convincente vitória sobre o Fluminense na decisão do segundo turno, e de um merecido 3×0 sobre o Flamengo na semi-final, ou seja, Botafogo vem favorito.
Já o Flamengo, além de carregar na memória a derrota chocolatesca para o Botafogo dentro do seu próprio estádio, ainda vem abalado pela notícia de que seu querido técnico, Joel Santana, está de partida para a África do Sul, onde substituirá aquele técnico cujo nome eu me recuso a pronunciar no comando da seleção daquele país.
Ainda me lembro da decisão do Campeonato Brasileiro de 1992, quando o Botafogo entrou favorito, festa da torcida antes do jogo, e levou uma SURRA logo no primeiro embate.
Depois das finais, Flamengo pentacampeão, fui ter com amigos botafoguenses, que me confessaram “eu já sabia que ia dar Flamengo”.
A conclusão, amigos, é de que todos vão ficar felizes após a conclusão destas finais do estadual deste ano, o Flamengo, por que vai levar a taça para Gávea, e o Botafogo, por que vai ganhar mais uma história de tristeza, sofrimento e lágrimas em seu currículo.

Pra começar, parabéns ao Cienciano, de quem eu só ouvi falarem mal, que só oferecia perigo na altitude, e tal… eu achei que o Flamengo ia jogar com uma mulambada na retranca que jogaria na base do pontapé, mas não, o time do Peru jogou bem e poderia muito bem ter saído com a vitória do Maracanã ontem.
Tudo bem que enquanto estava em igualdade no placar jogou numa retranca desgraçada, abusando inclusive da linha burra… abusando mesmo, pois foi graças a uma linha do impedimento mal executada que saiu o gol de Souza abrindo o placar pro mengão.
Daí eu pensei “agora os caras vão bater pra caramba”, mas não, foram para cima do Flamengo conscientes, criaram chances e tal, tocaram a bola… até empatar graças a aquela saída canhestra do Bruno no melhor estilo “ala das baianas”.
Segundo tempo e os caras voltam fechadíssimos de novo… e o Flamengo foi ficando nervoso… Joel botou o time todo lá pra frente, dando um ar de desespero… o Leo Moura foi um que eu não vi no segundo tempo, tanto é que no fim do jogo até telefonei para a emissora para perguntar se estava tudo bem com ele…
Daí o Bruno deu outro vacilo, deixou a bola passar nas sus barbas dentro da pequena área e mais um gol do Cienciano, só que o juíz anulou equivocadamente, para a alegria da ala Emo do Botafogo.
Mas tudo bem por que o juíz deixou de marcar um penalti escandaloso a favor do flamengo também, deixando 1×1 em lambanças, para a tristeza dos que reclamam que o juíz semrpe rouba para o Flamengo, o que é RIDÍCULO.
E o Flamengo pressionava desordenado, enquanto que o Cienciano começou a fazer uma cera desgraçada, com o goleirão caindo de maduro e coçando o joelhinho… depois quando o Marcinho roubou a bola do Obina e fez o gol do desempate, os peruanos começaram a correr pra caramba… não tentendi, por que pararam de fazer cera?
E ficou assim mesmo.
O Flamengo conseguiu ficar em primeiro do grupo, mas não sei se com este futebol vai arrumar alguma coisa na Libertadores ou mesmo no Brasileirão.
Bola pra frente.
Foto: Print-screen do site do Globo. O fotógrafo é Alexandre Cassiano.

E o Cuca recuou o time de novo.
E o mengão vira-vira virou de novo.
E o Souza foi expulso injustamente por querer jogar futebol.
E o Castillo, goleirinho do timinho do anti-jogo ficou no campo depois de mostrar ser indigno de pisar na grama sagrada rubro-negra do Maracanã, maior estádio do mundo, lar do maior time do mundo, bi-campeão da Taça Guanabara, o maravilhoso, esplendoroso Mengão.
E aquela bola na trave no último lance foi a cereja no bolo.
Obrigado mengão, por só me dar alegrias!
Agora é rumo ao bi da libertadores, depois o bi mundial, e depois o mais importante: o Hexacampeonato Brasileiro.
Sorte de quem é rubro-negro como nós.
