
Estou lendo um livro do Nelson Rodrigues, que me foi presenteado pelo meu querido irmão, Dude Lyra, vulgo Kaká de Ressaca, e por sua querida mãe, Celina Lyra, que são crônicas esportivas que o autor escrevia para a Manchete Esportiva na metade final dos anos 50, “O Berro Impresso das Manchetes”.
Recomendo.
Na parte do livro que eu estou lendo o Brasil ainda chora pela derrota na copa da Suíça em 1954, além é claro, da catastrófica final da copa de 1950, e endeusa a Hungria de Puskas e a Tchecoslovaquia.
É interessante notar como naquela época havia uma sensação de “quando seremos campeões do mundo?”, “não somos os melhores”… chegei a ler declarações de membros da CBD dizendo que o Brasil iria para a Copa de 1958 já sabendo que não teria nenhuma chance de levar o caneco para casa.
Esse pensamento mudou muito de lá para cá, basta lembrar do nosso “dream team”, que chegou à Alemanha em 2006 com a taça na mão, mais preocupado em dar show e bater recordes individuais do que apenas ganhar a copa, aqueles mercenários arrogantes saltos-altos desgraçados de merda.
Mas apesar de o pensamento com relação a seleção ter mudado muito desde aquele tempo para cá, o livro fala de outros conceitos que permanecem intocados mesmo depois de meio século.
Tricolor confesso, Nelson Rodrigues dizia que naquela época, a camisa rubro-negra já tinha esta mística de jogar sozinha, e também que a torcida do Botafogo já tinha a característica de alimentar-se do pessimismo e do sofrimento.
Domingo que vem começa a decisão do Campeonato Estadual 2008 entre Flamengo e Botafogo, onde o Botafogo vem motivado de uma convincente vitória sobre o Fluminense na decisão do segundo turno, e de um merecido 3×0 sobre o Flamengo na semi-final, ou seja, Botafogo vem favorito.
Já o Flamengo, além de carregar na memória a derrota chocolatesca para o Botafogo dentro do seu próprio estádio, ainda vem abalado pela notícia de que seu querido técnico, Joel Santana, está de partida para a África do Sul, onde substituirá aquele técnico cujo nome eu me recuso a pronunciar no comando da seleção daquele país.
Ainda me lembro da decisão do Campeonato Brasileiro de 1992, quando o Botafogo entrou favorito, festa da torcida antes do jogo, e levou uma SURRA logo no primeiro embate.
Depois das finais, Flamengo pentacampeão, fui ter com amigos botafoguenses, que me confessaram “eu já sabia que ia dar Flamengo”.
A conclusão, amigos, é de que todos vão ficar felizes após a conclusão destas finais do estadual deste ano, o Flamengo, por que vai levar a taça para Gávea, e o Botafogo, por que vai ganhar mais uma história de tristeza, sofrimento e lágrimas em seu currículo.