Há algum tempo atrás estava eu bebendo uma cerveja no Céu da Guanabara durante a hora do rush, reparando em todos aqueles carros que passavam na Rua das Laranjeiras e comecei a tentar imaginar quanta gasolina estava sendo queimada só naquele trecho de asfalto, em frente ao bar.
Em uma amostragem grosseira, contei quantos carros passavam ali, naquele trecho, que deve ter uns cem metros, a cada minuto… contei entre 25 e 35 carros por minuto… como não tinha calculadora, arredondei para 30, para também não queimar o cerebelo.
Se cada carro, naquele ritmo lento, faz em média uns 7 km com cada litro de combustível, então, naqueles cem metros em frente ao bar, a cada 70 carros, um litro de combustível é queimado… eu tinha contado 30 carros por minuto, vamos fechar em um litro de gasolina queimado a cada dois minutos?
Naquele dia eu passei ali umas duas horas bebericando e jogando conversa fora, de modo que assisti sessenta litros de combustível serem queimados ali, na minha frente… nem me pareceu tanto, mas lembre-se, são apenas cem metros de Rua das Laranjeiras.
Abaixo uma bela foto que eu tirei do local supracitado.

Continuando a brincadeira, e no Túnel Rebouças, como ficaria esse cálculo?
Segundo a Wikipedia, passam por dia 190 mil veículos pelas quatro galerias do Túnel Rebouças, que mede, somados os dois sentidos, 5760 metros.
Usando como base aqueles mesmos sete quilômetros por litro, e para facilitar as coisas, ignorando as motos, que consomem menos, e os ônibus e caminhões (e Galaxies e Landaus), que consomem mais, já dá para se ter uma idéia de quanto de combustível é queimado por dia naquele pequeno, porém movimentado trecho da BR-101.
A conta fica então 190.000 x 5,760 = 1.094.400, que é a soma dos quilômetros percorridos por dia por todos os veículos que passam por lá.
Isso divididos por sete então nos dará os litros, que é o que queremos estimar: 156342,85714285714285714285714286… dízima periódica interessante, não?
Para arredondar, por dia são queimados no Túnel Rebouças, (aproximadíssimos) 156.343 litros de combustível.
É, não tem jeito.
É mesmo coisa pra cacete.
Dá para entender por que os árabes estão com a burra cheia de dinheiro, bem como também dá para entender por que que a cada vez que eu passo de motoca pelo Rebouças a minha cara chega preta no meu destino.
Bom, acho que é isso.
Se meus cálculos estiverem errados, por favor, sua ajuda é muito bem-vinda.
De qualquer forma, Morituri te salutant.
Esses romanos são mesmo loucos.

A Kombi é Bauhaus.
Uma magnífica aplicação da sua máxima mais famosa “a forma segue a função”.
Sem dúvida, um dos carros mais belos que eu já vi.
O nome do utilitário deriva do alemão Kombinationsfahrzeug, que significa “Carro Combinado”, no sentido de que pode ser facilmente convertido de cargueiro para transportador de passageiros.
O utilitário, que roda desde 1950, sempre teve aqui no Brasil o modelo mais atrasado.
Apos a reestilização da Kombi brasileira de 1997, quando o carro enfim ganhou janelas traseiras maiores e portas corrediças, a nossa Kombi passou a ser basicamente o mesmo carro que rodou na Europa entre os anos de 1972 e 1979, e foi a última no mundo a abandonar o velho motor boxer da VolksWagen, que a equipou até 2005, quando enfim recebeu motor refrigerado a água.
Se estiver interessado em obter informações sobre a Kombi, tem várias interessantes na Wikipedia, e uma história detalhada, com belas imagens de fotos e anúncios da época neste link.
Aqui você pode fazer o download da Kombi planificada para imprimir, recortar e montar a sua própria frota.
E para aqueles que ainda tem alguma dúvida sobre a eficiência do longevo utilitário, prestem atenção em quais são os carros que mais produzem fumaça preta pelas ruas da cidade e vão reparar que são modernas vans Mercedes Benz, Peugeot, Renault e Citroën.
Enquanto essas vans novas, modernas, confortáveis e silenciosas já estão por aí batendo pino, as velhas kombis barulhentas e apertadas, seguem agüentando o tranco.
Abaixo algumas brochures antigas que eu encontrei entre as minhas iguarias.








Uma gracinha, bonitinho pra caramba, completo, organizado, realmente uma fofura, só vi uma falha, que como trabalho com usabilidade, achei chatinha, que é a cor vermelha do LCD do relógio, odômetro e marcador de temperatura.
Para mim, o vermelho tem que ser economizado para indicar que alguma coisa está errada.
Vermelho é cor de erro.
Quando acende uma luz vermelha no painel, é motivo para o motorista se preocupar, por isso que a cor escolhida é o vermelho, que é a cor que mais chama a atenção, nos sinais de trânsito é para parar, assim como também nas luzes de freio… nos painéis de automóveis, o vermelho indica que o freio-de-mão está puxado, que o carro está fervendo, que está faltando óleo, em suma, informações importantes, que indicam que algo está acontecendo que pode impactar no funcionamento do veículo, e mesmo na segurança dos passageiros.
Quando se usa o vermelho para pintar o LCD do relógio, como no caso dos painéis do Gol e Fox, da Volks, desperdiça-se a cor de alerta com uma informação de importância muito menos relevante.
Desta forma, o vermelho ficará sempre presente na visão periférica do motorista, fazendo com que quando uma luz vermelha de alerta se acenda no painel, ela não tenha o mesmo destaque, e consequentemente, a mesma eficiência.
Isso me incomodou na hora exata que eu sentei no banco do motorista.
No meu ver isso foi uma comidinha de mosca dos designers da Volkswagen.
Rapaz, como eu me amarro nessas minhas revistas Quatro Rodas antigas e mofadas… que carros… vejam esse anúncio de Landau de página dupla…



O que uma grande angular não faz, hein? A Brasília do anúncio parece até uma barca Rio-Niterói, dado o espaço com que conta nosso fashion garoto-propaganda para a leitura de seu rico periódico.
Repare no tom amostardado do exemplar escolhido para a divulgação… onde foram parar todas essas tintas?
Bom, como a moda é cíclica, um dia elas voltam, daí nós poderemos voltar a curtir de novo as tonalidades ultrasaturadas e sólidas no lugar das dos tão desbotados congestionamentos de hoje em dia…
Claro que os carros hoje são muito mais evoluidos no que diz respeito a segurança dos passageiros no caso de uma colisão frontal, situação em que toda a frente do veículo é feita para se deformar, amortecendo o impacto e assim protegendo os passageiros, criando algo parecido com a célula de sobrevivência dos carros de F1… mas os seus para-choques precisavam ser tão frágeis?
Os para-choques de antigamente eram peças externas, feitas para receberem o primeiro impacto no caso de uma baliza mal-calculada, uma raspada na parede da garagem, ou mesmo uma batida leve, e eram feitos, primeiro de metal, cromados nos anos 70, depois pintados de preto nos anos 80… depois viraram os belos para-choques envolventes de plástico que vinham nos carros do final dos anos 80 e início dos 90… e a partir da metade da década de 90, eles começaram a fazer parte do volume do carro, vindo pintados na mesma cor da lataria e recebendo o mesmo acabamento, o que faz com que qualqer batidinha já seja motivo de oficina, no caso de donos de carro mais preocupados com a estética dos seus veículos, e no caso de proprietários como eu, de um parachoque todo arranhado, descascado, rachado, remendado e horroroso… e no caso de uma batida mais séria, o carro fica literalmente “sem queixo”, como é o caso do Peugeot 206 da foto abaixo.
Hoje existe até uma tendência entre os taxistas de pintar o para-choque dos carros de preto, com uma tinta mais resistente, que não precise tanto de manutenção como as que vem das montadoras… mas onde eu quero chegar com esse post é na seguinte questão: Será que precisavam ser tão frágeis ou é “estratégia” das montadoras para ganhar mais dinheiro com manutenção?
Se os carros seguirem a lógica dos outros bens de consumo, eu fico com a segunda alternativa.


O vencedor, Ford Modelo T

Talvez capas de revista como esta tenham influenciado na decisão dos jurados de não darem ao Fusca o título de carro do século.

No final do século passado foi criado um prêmio chamado “The Car of the Century“, para eleger qual foi o carro mais importante do século XX.
Após uma fase eliminatória, 100 jornalistas votaram nos seus 5 preferidos entre os 26 que tinham passado na peneira.
Eu fiquei sabendo do concurso na época, em 1999, e ficava imaginando qual seria o segundo colocado, já que o primeiro logicamente seria o Fusca.
Algum tempo depois eu soube que o vencedor do concurso tinha sido o “Ford Modelo T“, carro que foi fabricado entre 1908 e 1927, e foi detentor do recorde de quantidade de unidades fabricadas até 1972, quando foi superado, claro, pelo Fusca, que por sua vez, foi fabricado desde 1938 até 2003.
O resultado foi divulgado em um evento de gala na humilde cidade de Las Vegas, no dia 18 de dezembro de 1999.
Pensei “Que marmelada o Fusca ficar em segundo em um concurso desses.”… mas na verdade eu já estava desconfiado mesmo, pois imagine só um megaevento em Las Vegas, com Celine Dion cantando Titanic (hipérbole de floreio), para anunciar que o vencedor é um carro alemão, e pior, cujo projeto foi financiado pelo Terceiro Reich?
É ruim, hein?
E outro dia eu estava lendo sobre o tal concurso na Wiki, para obter dados para escrever este post, quando descobri que o Fusca não foi nem o segundo colocado, mas quarto, sendo os cinco primeiros, em ordem de classificação, o americano “Ford Modelo T”, o inglês “Mini“, o francês “Citroën DS“, o Deutsch “Fusca” e o também alemão “Porsche 911“, um carraço, que nada mais é do que um Fusca para barão…
Depois de tomar conhecimento desse resultado, ficou claro para mim o caráter marmeladesco da decisão, pois o Fusca ficar em segundo já era esquisito, agora, ficar em quarto, atrás de um americano, um inglês e um francês, no meu ver foi pornográfico… foi “me engana que eu gosto”.
Fiquei imaginando se o Fusca tivesse vencido, as imagens passando no telão do cassino, com o Ferdinand Porsche apresentando o projeto para os seus financiadores… não ia rolar.
Mas beleza, tudo bem que ninguém em seu juízo perfeito é muito chegado ao Hitler e sua corja, mas tirar do Fusca o merecidíssimo título de carro do século XX só por que o projeto foi encomendado pelo seu governo acaba por tirar a credibilidade do prêmio… não importa se o Fusca é projeto do Hitler, do Napoleão, do Nero ou do Osama, o que importa é que os números o colocam como o carro mais importante do século XX… se é para serem levados outros critérios em consideração que nada tem a ver com o sucesso do projeto em si, é melhor então dar outro nome ao concurso, como por exemplo “O carro feito pelo país mais bonzinho”… eu voto no Gurgel BR-800.
Um concurso desses sem o Fusca campeão é marmelada.