
O vencedor, Ford Modelo T

Talvez capas de revista como esta tenham influenciado na decisão dos jurados de não darem ao Fusca o título de carro do século.

No final do século passado foi criado um prêmio chamado “The Car of the Century“, para eleger qual foi o carro mais importante do século XX.
Após uma fase eliminatória, 100 jornalistas votaram nos seus 5 preferidos entre os 26 que tinham passado na peneira.
Eu fiquei sabendo do concurso na época, em 1999, e ficava imaginando qual seria o segundo colocado, já que o primeiro logicamente seria o Fusca.
Algum tempo depois eu soube que o vencedor do concurso tinha sido o “Ford Modelo T“, carro que foi fabricado entre 1908 e 1927, e foi detentor do recorde de quantidade de unidades fabricadas até 1972, quando foi superado, claro, pelo Fusca, que por sua vez, foi fabricado desde 1938 até 2003.
O resultado foi divulgado em um evento de gala na humilde cidade de Las Vegas, no dia 18 de dezembro de 1999.
Pensei “Que marmelada o Fusca ficar em segundo em um concurso desses.”… mas na verdade eu já estava desconfiado mesmo, pois imagine só um megaevento em Las Vegas, com Celine Dion cantando Titanic (hipérbole de floreio), para anunciar que o vencedor é um carro alemão, e pior, cujo projeto foi financiado pelo Terceiro Reich?
É ruim, hein?
E outro dia eu estava lendo sobre o tal concurso na Wiki, para obter dados para escrever este post, quando descobri que o Fusca não foi nem o segundo colocado, mas quarto, sendo os cinco primeiros, em ordem de classificação, o americano “Ford Modelo T”, o inglês “Mini“, o francês “Citroën DS“, o Deutsch “Fusca” e o também alemão “Porsche 911“, um carraço, que nada mais é do que um Fusca para barão…
Depois de tomar conhecimento desse resultado, ficou claro para mim o caráter marmeladesco da decisão, pois o Fusca ficar em segundo já era esquisito, agora, ficar em quarto, atrás de um americano, um inglês e um francês, no meu ver foi pornográfico… foi “me engana que eu gosto”.
Fiquei imaginando se o Fusca tivesse vencido, as imagens passando no telão do cassino, com o Ferdinand Porsche apresentando o projeto para os seus financiadores… não ia rolar.
Mas beleza, tudo bem que ninguém em seu juízo perfeito é muito chegado ao Hitler e sua corja, mas tirar do Fusca o merecidíssimo título de carro do século XX só por que o projeto foi encomendado pelo seu governo acaba por tirar a credibilidade do prêmio… não importa se o Fusca é projeto do Hitler, do Napoleão, do Nero ou do Osama, o que importa é que os números o colocam como o carro mais importante do século XX… se é para serem levados outros critérios em consideração que nada tem a ver com o sucesso do projeto em si, é melhor então dar outro nome ao concurso, como por exemplo “O carro feito pelo país mais bonzinho”… eu voto no Gurgel BR-800.
Um concurso desses sem o Fusca campeão é marmelada.
…vai gostar de visitar o site do Dan Palatnik, pois ao que parece, ele também gosta.
Ele é ilustrador e faz modelos em 3D de carros clássicos, que estão à venda por lá.
Muito legal.
Vale dar uma passada, nem que seja só pra ver as fotos dos modelos.

Foi o que disse Mário, meu mecânico.
Mário é meu mecânico desde que Roberta, minha mulher me recomendou seus trabalhos.
Sim, também acho uma vergonha, mas meu mecânico de confiança me foi recomendado por uma mulher.
Meu carro vinha fervendo sempre, e não havia água no radiador ou ventoinha do ar condicionado que desse jeito.
Era subir Santa Teresa que fervia.
Ele falou “Tira a válvula termostática que resolve”.
A válvula termostática interrompe o fluxo de água pelo sistema de refrigeração do motor quando o carro está frio para que esquente mais depressa.
Muito útil na Europa, ou até mesmo em Curitiba, mas aqui no Rio ela serve mesmo é para emperrar na posição “fechado” e fazer o carro começar a esquentar desesperadamente… assim é o fim de todas as válvulas termostáticas.
Só que em vez de troca-la, ele simplesmente deixou sem.
E o carro parou mesmo de esquentar.
Cool.
Abaixo o meu carro na oficina do Mário, com as tripas pra fora.

Ontem fui no posto do Detran fazer a vistoria do meu possante, que já não sabia o que era andar com documento do ano já fazia tempo…
Eu sempre dei preferência a marcar a vistoria dos meus veículos logo demanhã, para ficar logo livre, mas por falta de horário mais cedo, marquei às 17h15, mas só apareci lá no Correia Dutra quase na hora de fechar, às 18h.
Apesar de só ter uma cabine atendendo e aquele clima de fim-de-festa, não tinha mais quase nenhum carro no posto, e o serviço andou muito rápido.
Nem exame de fumaça fizeram… se isso é bom ou mal, não sei… provavelmente olharam para o jeitão da minha viatura e devem ter pensado “fazer exame de fumaça nesse aí pra que? Tá na cara que está reguladíssimo.”
Recomendo.
