Flagrantes do mais poético e charmoso bairro do Rio de Janeiro… alguns revelam características inconfundíveis dos nossos colonizadores.


Mais uma instalação da Cedae.
Foi aprovada pela assembléia legislativa do Rio a lei que regulamenta os bailes funk e os promove ao status de “movimento cultural”.
Que bom que nosso poder público se preocupa com a cultura.
A mudança da lei já pôde ser verificada de dentro da minha própria residência, que outra noite já foi graciosamente invadida pela cultura, que vinha a plenos pulmões de comunidades nem tão próximas…
Algumas das estrofes culturais da poesia que atravessava os vidros das nossas janelas eram facilmente identificáveis:
Decisões como essas que me fazer sentir orgulho de morar em uma cidade cosmopolita como o Rio de Janeiro, onde os governantes não medem esforços para que seus cidadãos contribuintes tenham acesso à cultura sem ter sequer que colocar seus narizes para fora de casa.
Minha Laura querida, do alto dos seus dois aninhos, agradece.
Que beleza.
Se fosse época de Arte de Portas Abertas aqui em Santa Teresa eu poderia pensar que era alguma instalação da seção “Interferências Urbanas”, pois já faz mais de uma semana que essa cratera está aberta na esquina da Almirante Alexandrino com a Júlio Otoni, e a cada dia os tapumes estão mais destruídos, ostentando ainda uma orgulhosa e invertida (piada?) logo da Ceg em uma das estruturas de compensado que naufraga juntamente com a nossa cidadania em mais uma gritante demonstração de quanto o poder público CAGA em cima do cidadão otário pagador de suas contas e tributos.
Hoje a noitinha quando eu passei ele estava cheio de água, apesar de não ter chovido, provavelmente alguma colaboração da nossa valorosa Cedae para a refrescância das pobres larvas e pupas da dengue… hoje fez um calor infernal… destaque para a tabuinha com quatro pregos graciosamente virados para cima bem no estreito caminho dos nossos queridos e frágeis pneumáticos… sei que estraguei parte da piada, mas retirei a madeira com os pregos e joguei para dentro do buraco… coisa que também nenhum pedestre desgraçado se dignou a fazer… povinho safado… será que estou ficando velho e rabugento?




Todas as fotos abaixo foram tiradas na Rua Almirante Alexandrino, a rua principal de Santa Teresa, no dia 14 de outubro de 2008.
Algumas horas depois de as fotos terem sido tiradas passou um caminhão da prefeitura e tampou alguns deles, fazendo com que aonde antes havia um buraco, agora passe a ter uma lombada.
E o mais interessante é que o bairro passou por grandes obras há muito pouco tempo, e a maioria desses buracos surgiu justamente nos trechos com o asfalto novo… mas também tem outros buracos que são abertos pela Cedae, que faz o serviço e simplesmente vai embora, abandonando a cratera aberta no meio da rua, sem nem ao menos colocar aquele tampão de ferro, enquanto a prefeitura não vem e joga asfalto por cima de tudo, até das próprias tampas, ou então deixa o asfalto até o limite da tampa, que fica a 10 centímetros do nível do asfalto… todas essas modalidades de buracos são velhas conhecidas do carioca, mas eu não me lembro de já ter visto as ruas de Santa Teresa em semelhante situação de abandono.












Dizem que vieram da Amazonia e se adaptaram tão bem ao ambiente daqui que estão pondo em risco os locais, macacos pregos… dizem que graças a eles a população de gaviões também cresceu… o povo diz um monte de coisas mesmo.
Consegui tirar uma foto razoavelmente decente de um dos vários que passam por lá pela mansão diariamente…

O #12.
Então até agora são dois bondes “oficiais”, este e o #9, já que o #8 está ainda em testes.
Muito pouco para atender a duas linhas.
O Censo continua…

Hoje estava voltando de motoca para casa e tive o prazer de ver dois exemplares raros da fauna ferroviária de Santa Teresa: o famoso bonde #8, que voltou de Três Rios, e que os panfleteiros da Amast dizem que não faz curvas, e o “figurinha difícil” bonde #105, de conserto da rede aérea.
Estava chegando em ST e vi o bonde 8 parado no largo do França, e nem liguei o nome a pessoa… prossegui até a entrada dos prazeres, no ponto final do Dois Irmãos, onde estava parado o bonde de conserto.
Parei e fiquei tirando umas fotos do bonde 105, enquanto esperava o outro chegar para que eu o fotografasse também.
Fiquei esperando um tempo, mas o outro não chegava nunca, de modo que resolvi ir ao seu encontro.
Fui voltando e acabei o encontrando ainda no mesmo lugar que o havia visto, no Largo do França.
Estava lá, lindo, tinindo, novinho em folha.
Parei a motoca e comecei a fotografa-lo.
O bonde faz um barulho muito diferente do bonde velho, o que me entristeceu.
O barulho do bonde é mais agudo… eu o representaria onomatopeicamente como “Ssssssssssssss”… o barulho do velho motor White Westinghouse vai mesmo deixar saudades.
Fui ao simpático motorneiro, perguntei se o bonde fazia mesmo curvas, que conversa era aquela do pessoal da Amast, que dizia que o bonde novo era uma bosta e tal… subi nele para olhar os equipamentos, e reparei que no painel do motorneiro havia um monte de luzinhas… saquei a câmara e perguntei ao motorneiro se podia fotografar, já apontando a máquina… mas um dos caciques que estava sentado me disse “não pode tirar foto não, este bonde está em teste, aliás não pode nem subir no bonde, faça o favor de descer do bonde”.
Eu pensei “que babaca”, e fui descendo do bonde.
Cogitei em dar um kashimerrogatami no cara, mas segurei minha onda.
Continuei tirando minhas fotos, agora mais para provocar o leão de chácara do bonde do que qualquer outa coisa… daí eles desceram do bonde e o que parecia ser o líder da expedição me disse “que nada, pode tirar foto sim”, e eu fiquei conversando com eles.
Me disseram que já tem outros cinco bondes quase prontos em Três Rios, que daqui a algum tempo vai ter bonde para todos os lados em Santa Teresa, que vão enfim colocar em uso o ramal que vai até o Silvestre, assim como o da Muratori, e que este último serviria unir as linhas com as que seriam posteriormente implementadas na Lapa, em uma volta a época do transporte ferroviário urbano no Rio de Janeiro, o que é a melhor alternativa de transporte para a cidade.
Concordei com tudo, agora, daí a acreditar…
De qualquer forma foi um prazer conhecer ao vivo o novo bonde… mesmo que tenha barulho de serra de mármore, tá valendo.
Abaixo algumas das fotos que eu tirei.

