Foi aprovada pela assembléia legislativa do Rio a lei que regulamenta os bailes funk e os promove ao status de “movimento cultural”.
Que bom que nosso poder público se preocupa com a cultura.
A mudança da lei já pôde ser verificada de dentro da minha própria residência, que outra noite já foi graciosamente invadida pela cultura, que vinha a plenos pulmões de comunidades nem tão próximas…
Algumas das estrofes culturais da poesia que atravessava os vidros das nossas janelas eram facilmente identificáveis:
Decisões como essas que me fazer sentir orgulho de morar em uma cidade cosmopolita como o Rio de Janeiro, onde os governantes não medem esforços para que seus cidadãos contribuintes tenham acesso à cultura sem ter sequer que colocar seus narizes para fora de casa.
Minha Laura querida, do alto dos seus dois aninhos, agradece.
Este fabuloso, legendário e épico vídeo registra o sorteio das datas de apresentação dos Planejamentos Estratégicos de Marketing da Turma 73 do MBA de Marketing da Fundação Getúlio Vargas.
Depois de muita discussão ficou decidido que o representante da turma (eu) faria o sorteio das datas das apresentações, mas como eu estava diretamente interessado no resultado, decidi por filmar o sorteio e publica-lo no YouTube para que não tivesse a legitimidade questionada… só depois é que eu fui atentar para o fato de que eu poderia refazer o sorteio várias vezes até que meu grupo fosse sorteado para o concorrido dia 21… mas o fato é que eu não ia roubar, e não roubei.
Este foi o primeiro e único sorteio realizado, mas mesmo assim ainda fica a questão: será que se meu grupo fosse sorteado para o dia 14 eu não melaria o sorteio e faria de novo até meu grupo ficar no dia 21?
Isso nunca saberemos… quer dizer, eu sei, pois estava decidido a acatar o resultado do primeiro sorteio realizado, e por conta disso estava nervosíssimo, sentimento que foi substituído pelo alívio e felicidade quando o sorteio terminou… e depois, seguindo as palavras sábias do Igor Play, que competentemente filmou a cerimônia, o ridículo do absurdo seria eu filmar o sorteio de novo até que meu grupo ficasse no dia 14.

Meu iPod morreu.
Eu já tinha conhecimento de que os iPods morrem ao atingirem os dois anos de idade, por sua bateria ser inacessível e insubstituível, mas o que eu não sabia que era uma coisa tão repentina, tão sem aviso, como um replicante que chegou à hora de sua morte, e só tem tempo para chorar um pouquinho, falar sobre as lágrimas na chuva (lindo o final daquele filme), soltar o pombinho e tchau… com o iPod, nem isso.
Meu iPod estava funcionando perfeitamente, a sua bateria continuava carregando e durando o mesmo de sempre, o que até me fazia pensar que meu modelo era especial, mas eu desliguei para almoçar, e quando fui ligar de novo para voltar ao trabalho, não ligou mais e fim de papo.
A bateria do meu notebook, por exemplo, assim como a dos meus telefones celulares e da minha Mavica velha, foi tendo diminuido o seu tempo de carga a cada dia, até chegar uma hora que só funcionava quando ligado na tomada… é mesmo, com o iPod, nem ligado na USB ele liga mais, como se tivesse um timer dentro dele que chegou ao fim, como acontecia com os Nexux 6 de Blade Runner.
Não gostei não… ficou com o maior cheiro de “nós da Apple resolvemos que está na hora de você comprar um novo iPod muito mais moderno e com novas maravilhosas funcionalidades”.
Os fashion-nerds que me perdoem, mas meu próximo MP3 Player não vai ser da maçãzinha não, ele vai entrar no meu computador e ser alimentado pelo sistema de arquivos do meu Windows, sem ter que vir com um iTunes de dez toneladas pendurado, que a cada inicialização quer mudar toda a árvore de diretórios do meu PC… e sem falar que a cada vez que a bateria acabava por inteiro eu tinha que formatar o iPod e copiar todas as músicas para dentro dele de novo, o que da primeira vez foi altamente traumatizante, pois eu havia feito “a grande e definitiva playlist”, e achava que nunca mais precisaria modifica-la… tive que fazer isso umas quatro vezes, sai fora.
Adeus, iPod, adeus iTunes.
Steve Jobs que vá complicar a vida lá das nêgas dele.
Esta foi minha última contribuição para meu prédio.
Cansei de as minhas pizzas voltarem.
Fiquei na dúvida se era “isto” ou “isso”… eu nunca sei essa bosta.
Mas a referência ao Magritte ficou chique pra caramba!

Sexta-feira resolvi botar mais um ponto de Net na minha casa, além de fazer um upgrade no meu pacote para um que tenha os telecines.
Muito bem, telefonei para 4004-7777, e fui para a seção de compras, e lá acertei tudo e agendei uma visita de um cabra da Net para sábado de manhã, entre as 8h e 11h, para instalar os transcoders correspondentes à minha nova configuração de TV a cabo.
Ainda tomei o cuidado de avisar que o meu interfone está quebrado, que era para quando o cara chegasse, chamar um porteiro para abrir a porta para ele, pois já aconteceu de o cara vir aqui com o interfone quebrado (o interfone aqui vive quebrado), tocar uma vez, entrar no carro e ir embora, daí sabe o que acontece? O cliente furão tem que pagar R$ 50,00 pela vinda do cara a toa.
Paguei 50 pratas muito puto dentro da roupa.
E no sábado, advinhe.
Claro que ninguém apareceu, mas é um direito deles, pois apesar de eu ficar esperando no horário combinado, a Net não me paga 50 pratas por ter furado comigo, mas já estou conformado com isso também, não me causa surpresa, afinal sou consumidor, sou brasileiro, sou otário, eles são oligopólio, os concorrentes são farinha do mesmo saco, se eu não estiver satisfeito, tenho todo o direito de não assistir televisão… mesmo assim são horas no telefone para cancelar a Net.
Já tentei, e é um épico.
Mas até aí, tudo dentro do previsto, eles marcaram e não vieram, 10h57 eu telefonei para a Net, a moça me pediu o meu telefone, e me disse que o cara da área técnica “estaria me ligando” para dar alguma satisfação.
Como já era de se esperar, lógico que ninguém me telefonou.
Paciência, segunda eu ligo de novo e tento mais uma vez… um dia eu consigo, afinal comprar é sempre mais fácil do que cancelar, ou solicitar conserto.
Estava hoje curtindo o domingo quando a minha Net caiu… Puf!
Liguei para a net e daí veio a minha surpresa.
O robô simpático já me atendeu perguntando se eu queria tratar de algo referente a visita agendada para quarta-feira entre 8h e 11h.
Ué?!?!?
Como assim “quarta-feira, das 8h às 11h”?
E ninguém me conta nada?
Será que eu estou incomodando?
Se a minha Net não tivesse caído eu nunca ia descobrir que os caras vão vir aqui na quarta, e sabe o que iria acontecer?
O babaca aqui ia ter que pagar as malditas 50 pratas por não estar em casa no horário que eles marcaram e não me avisaram.
Mas a menina que me atendeu não sabia de nada disso, e quando eu falei que estava sem net, sabe o que ela fez?
Que dúvida!
– Me dê o seu telefone, Sr. Mairus, que um representante da área técnica vai estar te telefonando para saber se o seu sinal já foi reestabelecido.
Um prêmio para quem adivinhar se alguém me ligou.
Outro dia fui ao Centro da Cidade de moto, pensando em estacionar na treze de março, em frente do Teatro Municipal, onde tem sempre um monte de motos paradas na larga calçada e que, segundo o guardador da prefeitura que trabalha por lá me disse, pode parar tranqüilo que não tem erro.
Só que quando eu cheguei lá o guardador era outro, e me disse que não pode parar na calçada, e nem nas vagas de carro, mesmo pagando o talão, e que eu deveria estacionar minha moto em um dos estacionamentos exclusivos, da Santa Luzia ou da Rua México… fui eu para a Santa Luzia, e lá havia um estacionamento para motos lotadíssimo, com vários motoboys montados em suas motos esperando na fila as vagas desocuparem.
Fui para a Rua México, nunca vi tantas motos na minha vida, impossível parar ali… toquei para a Rua da Candelária, onde em frente a FGV tem outro estacionamento de motos… lá eu consegui parar em uma vaga, que era tão apertada, mas tão apertada, que depois que eu desliguei a moto, levei uns dez minutos até conseguir sair dela.
Eu nunca ia imaginar que um dia sentiria claustrofobia montado na minha moto, e aconteceu.
Para sair de cima da moto eu tive que ficar em pé na pedaleira do carona e dar um passo largo para a calçada, correndo o risco de provocar um efeito dominó nas 567 motos estacionadas ao lado da minha.
– A partir de hoje, quando tiver que vir no centro de dia vou deixar a moto no Largo do Machado e vir de Metrô para cá para não passar esse perrengue de novo – pensei.
Detalhe: eu já tentei deixar a minha moto nos estacionamentos rotativos do Passeio Público e da Praça XV, mas eles não aceitam motos por lá.
Ontem eu tinha de ir ao centro, e parti para o meu plano de deixar a moto na minha vaga, no Largo do Machado, ao lado da banca de jornais, em frente à papelaria, na mesma calçada da Adega Portugália, quase na esquina com a Bento Lisboa.
Lá, bem em frente da minha vaga quase cativa, tinha um simpático Guarda Municipal e como eu sei que volta e meia tem rolado os chamados choques de ordem da prefeitura, que provocam lágrimas emocionadas nos retardados eleitores do Eduardo Paes, tratei de perguntar para o GM se podia parar ao lado da banca.
– Poder, pode – ele disse – mas não demora muito por que se passar a PM eles multam e rebocam.
– Então eu vou parar a moto em uma dessas vagas de carro a 90º da praça e pagar o talão. – tentei solucionar.
– Ah, isso não pode mesmo, dá reboque mesmo – respondeu o gentil GM, e foi quando eu constatei que “permitido” e “proibido” não são excludentes, pois existe um meio termo entre eles… segundo o GM existem três situações: a “pode”, a “não pode” e a “não pode mesmo”.
Ame-o ou deixe-o.
Aí eu, quase em xeque-mate, desabafei para ele – seu guarda, é impossível parar moto no centro, por isso eu estou parando aqui para ir de metrô para lá, mas o senhor está me dizendo que eu não posso parar nem na vaga de carro, nem na calçada, onde eu posso parar então?
Ele sorriu para mim e disse, franzindo o nariz – para ao lado da banca.
Hahahahaha, ai, ai.
Parei ao lado da banca, e no caminho para o Metro me aproximei de um guardador da prefeitura e perguntei se podia parar a moto na vaga dos carros, pagando pelo talão, e tal… – Ah, mas não pode de jeito nenhum, dá reboque, moto é na calçada.
E me dirigi ao metrô pensando no post que escreveria mais tarde.
Que beleza.
Se fosse época de Arte de Portas Abertas aqui em Santa Teresa eu poderia pensar que era alguma instalação da seção “Interferências Urbanas”, pois já faz mais de uma semana que essa cratera está aberta na esquina da Almirante Alexandrino com a Júlio Otoni, e a cada dia os tapumes estão mais destruídos, ostentando ainda uma orgulhosa e invertida (piada?) logo da Ceg em uma das estruturas de compensado que naufraga juntamente com a nossa cidadania em mais uma gritante demonstração de quanto o poder público CAGA em cima do cidadão otário pagador de suas contas e tributos.
Hoje a noitinha quando eu passei ele estava cheio de água, apesar de não ter chovido, provavelmente alguma colaboração da nossa valorosa Cedae para a refrescância das pobres larvas e pupas da dengue… hoje fez um calor infernal… destaque para a tabuinha com quatro pregos graciosamente virados para cima bem no estreito caminho dos nossos queridos e frágeis pneumáticos… sei que estraguei parte da piada, mas retirei a madeira com os pregos e joguei para dentro do buraco… coisa que também nenhum pedestre desgraçado se dignou a fazer… povinho safado… será que estou ficando velho e rabugento?



